Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 06/11/2021

O sociólogo T.H Marshall identificou que os direitos políticos, civis e sociais formam a sociedade moderna. No Brasil, entretanto, os obstáculos para a doação de sangue rompe com o direito à saúde e, consecutivamente, prejudica a integridade da população. Tal fato representa um problema que deve ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade. Nesse sentido, convém analisar a negligência governamental e a falta de conhecimento perante o assunto como os principais responsáveis pelo quadro.

Em primeiro lugar, é indubitável que o descaso do governo está entre as causas do impasse. Nesse horizonte, segundo o filósofo Thomas Hobbes, “É dever do governante assegurar o bem-estar de todos os cidadãos”. Esse pressuposto permite afirmar que, se o Estado não fizer políticas públicas que garantam a efetivação da doação de sangue, muitos brasileiros continuarão sendo vítimas da falta de sangue nos hemocentros. À vista disso, é interessante ressaltar que, muitas vezes, o governo não promove campanhas de esclarecimento amplo sobre a doação de sangue e não reavalia as regras discriminátorias impostas nesse ato, o que acarreta a diminuição do número de doadores. Dessa maneira, persiste o risco de prejudicar a saúde e a vida dos grupos que necessitam de sangue e, assim sendo, seus direitos são violados e negados.

Outrossim, conforme Sócrates, “Os erros são consequência da ignorância humana”, logo, o desconhecimento, em relação às consequências dos obstáculos para a doação de sangue, contribui, diretamente, na problemática. Desse modo, é válido destacar que a escola, principal instituição de formação social e do pensamento crítico, não recebe incentivo governamental suficiente para abordar o assunto dentro da sala de aula e o resultado desse fato é a formação de jovens alienados aos problemas de saúde pública. Por consequência, não observam e compreendem a dificulade no ato da doação de sangue como um problema que deve ser analisado e debatido socialmente e, então, não lutam pelo aumento de sangue para aqueles que precisam. Por conseguinte, não ocorre a responsabilidade e o compromisso com a vida de outras pessoas.

Diante dos fatos mencionados, é necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para amenizar essa questão. Posto isso, é dever do Ministério da Educação, por meio de incentivo e investimento escolar, aumentar a carga horária do aluno dentro da sala de aula. Deve-se, então, elaborar um plano que coloque em evidência a importância da doação de sangue e a reavaliação dos obstáculos, de modo que o primeiro passo seja colocar o problema nos livros didáticos, para o assunto ser devidadamente estudado e, assim, aumentar a criticidade da população em relação ao tema.