Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 30/09/2018

A Constituição do Brasil, promulgada em 1988, assegura ao princípio da universalidade e integralidade da saúde à todos. Todavia, estigmas anelados culturalmente e a falta de aporte financeiro pelo Governo, são um dos obstáculos para a doação de sangue no país. Com efeito, é indiscutível que a doação de sangue constitua um problema de saúde pública em um Estado Democrático de Direito.

Em primeiro plano, embora negligenciada, a doação sanguínea está intimamente ligada à manutenção da vida. A esse respeito, ocorre que o ato de doar, por boa parte da população brasileira, ainda é vista como necessária somente para emergência, contrariando o que afirmou Franz Kafka, que a solidariedade é um dos principais exemplos de respeito pela dignidade humana. Ademais, a proibição à pessoas homossexuais em doar, enquanto manter relações sexuais comprova o atraso educacional por parte do país. Em consequência, a integração de todos à saúde, garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é negligenciado.

Outrossim, a falta de recursos para a manutenção dos hemocentros se configura como uma das causas para a falta de doação. A esse respeito, segundo pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU), pouco mais de 60% dos doares são voluntários, o que ressalta a baixa adesão à manutenção da vida. Alem disso, o medo de engordar ou de adquirir doenças são um dos mitos enraizados na população que necessitam de ser desconstruídos, sob pena de graves prejuízos à sociedade.

Urge, portanto, a necessidade de atenção à um problema de saúde no país. Cabe ao Ministério da Saúde intensificar campanhas que, por meio de palestras, incentivem a doação de sangue, de caráter voluntário, desfazendo a cultura do medo de doar. Ainda, em conjunto com a mídia televisiva, devem propagar, pela publicidade, os benefícios em garantir a vida para outros, desconhecidos. Com essas medidas, o direito à saúde estará garantido à todos e a Constituição não será negligenciada.