Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 30/09/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para pacientes à espera de uma transfusão de sangue que, diante da falta de doadores voluntários, vivem, não necessariamente bem. Nesse contexto, evidencia-se a falta de conhecimento, bem como a falta de empatia da pós-modernidade.

Deve-se pontuar, de início, que a falta de informações configura-se como um grave empecilho no que diz respeito à questão da doação de sangue. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre como ocorre o processo de doação, sua visão será limitada, o que dificulta o aumento de doadores regulares. Dessa forma, a base educacional contribui para o distanciamento da realidade descrita por Platão da vivenciada por indivíduos que estão à espera de transfusões sanguíneas.

Ademais, a fluidez dos tempos pós-modernos conforme caracterizou Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, intensifica a problemática. Isso decorre do individualismo e egocentrismo, comuns nessa pós-modernidade, que geram uma questão notoriamente difícil em relação à empatia. Assim, é criada uma sociedade egoísta e individualista, que não reflete e nem ao menos se importa com pessoas que precisam de doações sanguíneas. Por consequência disso, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), apenas 2% da população brasileira doa sangue com regularidade.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Em razão disso, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, por meio de canais televisivos abertos, deve disseminar propagandas que, além de incentivar a doação de sangue, informem à população como, de fato, ocorre esse procedimento. Outrossim, o Ministério da Educação, em associação com escolas, deve incluir a disciplina ética e cidadania no currículo escolar do ensino infantil, fundamental e médio. As aulas, com intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderna, deverão disseminar o hábito de empatia. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora no que tange à questão dos índices baixos de doação sanguínea no Brasil.