Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/10/2018
A obra expressionista “O grito”, de Edvard Munch, retrata um individuo em estado de espanto diante de um contexto social.Essa sensação, assemelha-se a mesma que têm-se ao avistar o Brasil e o diminuto número de brasileiros doadores de sangue. Hodiernamente, é notório que devido a uma cultura preconceituosa e não solidária aliada a falta de investimentos do Poder Público, levam a um descaso com a doação de sangue no país.
Em primeira análise, deve-se ater que um dos principais desafios na captação de doadores de sangue está relacionado com a homofobia. Dessa maneira, Elton John, Marcos Nanini e Proust seriam proibidos de doar de acordo com a legislação brasileira. Essa, que invisibiliza doadores devido a sua orientação sexual o que, de fato, é um equívoco tendo em vista que o vírus da Aids também é adquirido em relações heterossexuais. Sob esse viés, nota-se um cultura preconceituosa, que ainda doa pouco, como mostrado no documentário “Vidas por Vidas”,e visa doações seguras isenta de contaminações, mas ao invés de analisar comportamentos de risco generaliza relações homossexuais como promíscuas e assim exclui-os de campanhas doadoras.
Ademais, o escritor Franz Kafka, já dizia que a solidariedade é o sentimento que melhor representa o respeito a dignidade humana. Entretanto, esse sentimento ainda não é predominante no país devido às baixas taxas de doadores de sangue no Brasil.Sabe-se, que esse descaso está relacionado com a ausência de desastres naturais e guerras civis no país, o que, não expõe a importância da doação para a sociedade civil e para o governo. Como produto, há poucas verbas destinadas às agências transfusionais em hospitais públicos e às campanhas em escolas e universidades. Assim, é recorrente a falta de informações e senso solidário devido a invisibilidade da importância deste ato altruísta e cidadão.
Portanto, para formação de brasileiros solidários a ideia de Durkhein- de que a sociedade só funciona em conjunto- deve ocorrer no país. Para isso, cabe ao Poder Legislativo a mudança de leis visando o comportamento de risco como parâmetro seguro aumentando o número de doadores homossexuais saudáveis.Ao Poder Executivo, é mister o aumento de verbas para hemocentros em prol do investimento em captação de sangue e seu armazenamento melhorando condições de infraestrutura para atender a demanda de doadores.E aos órgãos formadores de opinião - escolas, universidade e mídia- devem a criação de campanhas, debates e palestras sobre a importância de doar sangue formando individuos doadores e altruístas. Assim, caminhar-se-á rumo a um Brasil solidário e distante daquele não doador, visto pelo indivíduo, na obra de Munch.