Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 09/10/2018
No dia 14 de Junho comemora-se o Dia Internacional da Doação de Sangue, cujo objetivo é fazer as pessoas aderir a essa campanha, doando sangue. Entretanto, hodiernamente, a doação de sangue no Brasil enfrenta obstáculos, tornando-se um impasse ao desenvolvimento ético. Nesse sentido, o individualismo da sociedade moderna somada à discriminação de sangue dos homossexuais configura-se como perdas para a construção social, o que exige discussões políticas e socioeducativas.
Em primeiro lugar, há estereótipos e preconceito lançados aos homossexuais como: “grupo de risco”, “sangue inferior”, “sangue gay” e etc. Dentro desse contexto, naturalizar tais frases é prejudicial às minoras que desejam doar sangue, entretanto, biologicamente, o Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico (IBGE), junto de diversos laboratórios, afirma que não há diferença de sangue em um homossexual e heterossexual. Dessa maneira, o Brasil deixa de receber cerca de 19 milhões de litros por ano, segundo o IBGE, devido à intolerância não só da população, como também da atual legislação brasileira que atua como uma barreira na doação desse grupo. Logo, reverter esse quadro político e social é necessário.
Ademais, o individualismo é um dos grandes obstáculos para se efetivar a doação de sangue. Tal faceta configura-se contrário à teoria “Humanizada” do filósofo Spinoza, a qual afirma a necessidade de usar a empatia e a solidariedade, visto que, ao negar a doação por individualidade, o seu ato não é empático. Devido a esse fator multiplicado pela falta de informação sobre, o Ministério da Saúde revela que apenas 1,8% da população doa sangue, deixando o país abaixo do essencial, o qual é 5%, revelando como o Brasil não se estrutura como uma sociedade coercitiva.
Fica claro, portanto, que é necessário retirar os obstáculos na doação de sangue no ambiente brasileiro. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, promover nas escolas, debates éticos e morais, relacionando a doação de sangue como solidariedade e empatia com o próximo, além de enfatizar de como ocorre o processo, a fim de formar cidadãos coletivos e quebrar o tabu sobre a problemática. Aliado a essa iniciativa, a mídia deve engajar propagandas e anúncios, principalmente em programas de TVs, como novelas e séries, com o objetivo de sensibilizar a população brasileira à doação. Por fim, é necessário que o Governo, visando uma maior coleta e inclusão de homossexuais na sociedade, revogue a lei que proíbe a doação de sangue desse grupo. Dessa forma, o Brasil alcançará a taxa essencial de doação.