Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 05/10/2018
A técnica da sangria, muito utilizada na antiguidade até o final do século XVIII, consistia na retirada de certa quantidade de sangue através de cortes ou sanguessugas por acreditar-se ser um tratamento com propósito de cura de doenças. Atualmente, esse procedimento não é mais utilizado assim como o papel do sangue foi invertido. Ao invés de apresentar-se ligado a patologias, ele significa vida e sua doação pode salvar pessoas. Todavia, a falta de interesse dos brasileiros relacionado ao assunto, juntamente com a restrição de certos grupos do rol de doadores por conta de sua orientação sexual são situações que dificultam a efetuação desse gesto filantrópico.
De acordo com o Ministério de Saúde, somente 1,8% dos brasileiros é doador de sangue. Esse percentual ainda é baixo tendo em vista o ideal que é de 3% a 5% segundo a ONU. A falta do hábito de doar da população é sem dúvida um dos fatores que contribui para esse índice abaixo do esperado. É importante ressaltar que até os anos 80 o doador recebia uma remuneração pela sua contribuição. Entretanto, após entrar em vigor a Constituição Federal de 1988, a comercialização do sangue foi vedada. Logo, vale salientar que a falta de incentivo desse procedimento como feito altruísta dificulta até os dias de hoje a sua proliferação.
Além disso, outra razão que justifica esse índice reduzido é a proibição que alguns LGBTs sofrem no momento da doação sanguínea. O estigma e preconceito que liga os indivíduos homossexuais a doenças sexualmente transmissíveis impede a incorporação de milhares de bolsas de sangue nos hemocentros. Contudo, um levantamento feito pelo Ministério de Saúde no ano de 2012 acerca de pessoas afetadas pelo vírus HIV, indicou que mais de 65% dos adultos portadores da doença são heterossexuais. De certo, é imprescindível que algo seja feito para que inúmeros litros de sangue não sejam desperdiçados.
Sendo assim, medidas devem ser tomadas para a resolução desses impasses. O Ministério das Comunicações em parceria com meios midiáticos poderiam elaborar e divulgar campanhas publicitárias de cunho nacional mostrando os benefícios que uma simples contribuição sanguínea poderiam trazer a população com o propósito de sensibilizar a sociedade a tornar tal ação uma prática habitual. Bem como, o Ministério de Saúde deveria investir em aparatos tecnológicos dentro dos hemocentros que controlassem com maior rigor os grupos sanguíneos para avaliar se o doador é portador de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue. Dessa forma, o número de voluntários aumentaria e aos poucos as doações se tornariam um ato de cidadania.