Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 04/10/2018

A bolsa da modernidade líquida

O Brasil é um país que, desde o século XX, não obtivera, em seu território, nenhuma grande guerra. Logo, nunca precisou de uma colaboração com relação à um pensamento coletivo de solidariedade perante ameaças externas. Desse modo, é evidente que seus cidadãos denotam uma falta de compromisso ao bem-estar do próximo. Essa observação se dá, principalmente, através da ótica doação de sangue no Estado nacional.

Em um primeiro momento, vale ressaltar que, a partir da conjectura nacional, há um déficit com relação à quantidade de bolsas de sangue doadas no país, como destaca o Ministério da Saúde. Um dos motivos, então, como aponta o sociólogo Zygmunt Bauman, ocorre devido à liquidez dos laços que atam os seres humanos de uma nação. Como dito anteriormente, ao passo que o Brasil nunca passou por nenhuma catástrofe nacional, a falta de um sentimento de colaboração em conjunto com a fragilidade das ligações entre os indivíduos, agravando ainda mais o quadro da contribuição sanguínea.

Paralelamente a isso, algumas medidas impostas pelo governo brasileiro vão contramão ao desenvolvimento da saúde no país. Assim, um exemplo é com relação a uma lei brasileira de 2004 que impede homossexuais do sexo masculina de doarem sangue por doze meses após terem relações sexuais com outro homem. Diante desse fato, a ONG internacional “All Out” criou uma fila virtual de homens gays, e essa fila chegou a ter mais de duzentas mil pessoas com interesse em serem doadores de sangue. Mas, infelizmente, são impedidas devido à legislação brasileira.

Diante do exposto, pois, há uma falha no sistema de saúde que deve ser ajustada para maximizar o número de doadores do Brasil. Uma vez que, há uma falta de empatia do brasileiro, é necessário que haja um incentivo para a doação. Ou seja, o Ministério da Saúde deve alterar a lei para que a exclusão para a doação de sangue não seja feita pela opção sexual, e sim por como essas relações ocorrem, independente da orientação da pessoa. Sob o mesmo ponto de vista, há necessidade de que as Secretarias de Saúde municipais criem campanhas juntamente com os comércios locais para que ofereçam descontos aos doadores. Visto que, como apontou Bauman, as relações entre indivíduos estão deterioradas, estas são cada vez mais fortes com produtos materiais. Por fim, com essas medidas vai ocorrer um incremento na quantidade de bolsas sanguíneas e doadores ativos na sociedade, mesmo que seja através do consumismo da modernidade.