Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 10/10/2018
Apesar de possuir um dos 10 maiores PIBs e de representar uma das potências econômicas da América Latina, contraditoriamente, o Brasil dispõe de problemas arcaicos intrínsecos ao tecido social. A doação de sangue, na atualidade, se configura como um impasse na medida em que o número de doadores é ainda insuficiente. Esse quadro urgente é perpetuado tanto pela restrição à doação entre homossexuais, como pela frágil participação da mídia na promoção dessa prática, tornando necessária a intervenção estatal.
Nesse contexto, é indiscutível que a atual restrição relativa à doação sanguínea de gays e bissexuais representa um entrave à questão. Segundo o Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os indivíduos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Essa afirmação, no entanto, não é plenamente posta em prática no Brasil, haja vista que homens homossexuais são impedidos de doarem sangue, a menos que não tenham tido relações sexuais por 12 meses. De acordo com o Ministério da Saúde, essa restrição ocorre por tal grupo ser mais propenso a portar doenças sexualmente transmissíveis. Entretanto, essa determinação é alarmante na medida em que discrimina tal minoria e, além disso, impede a coleta de milhões de litros de sangue por ano. Logo, é indispensável que a doação seja determinada não pela orientação sexual, mas pela saúde do indivíduo.
Ademais, é indubitável que a insuficiência da participação da mídia perpetua a problemática. Conforme os filósofos Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural, representada pelos meios de comunicação de massa, é responsável por ditar o comportamento da sociedade contemporânea. Diante disso, é notório que a atual falta de campanhas midiáticas visando a estimular uma postura proativa dos cidadãos quanto à doação de sangue faz com que muitos brasileiros permaneçam em sua zona de conforto e não se tornem doadores. Assim, os meios midiáticos devem, utilizando-se de seu grande poder de alcance, criar mais campanhas voltadas para tal fim.
Destarte, medidas são necessárias ao combate de tais desafios e, por conseguinte, à ampliação da doação de sangue no Brasil. Diante disso, a fim de definir como critério restritivo não a orientação sexual, mas a saúde do indivíduo, o Ministério da Saúde deve permitir a doação entre homossexuais e, além disso, ampliar investimentos em aparatos científicos e tecnológicos que determinem com maior efetividade se as pessoas são portadoras de alguma doença ou estão aptas à doação. Outrossim, o Governo Federal, aliado às emissoras de TV, deve criar campanhas midiáticas, por meio de propagandas e programas educativos que divulguem a importância da doação sanguínea, com o fito de elevar o número de doadores. Assim, essa prática ocorrerá de forma plena no Brasil.