Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 09/10/2018
É consenso, em meio às comunidades sócio-políticas atuais, a importância da transfusão sanguínea no tratamento de doenças, principalmente oncológicas, e cirurgias em geral. Entretanto, ainda existem obstáculos na doação de sangue no Brasil. Diante disso, deve-se analisar como a deficiência estrutural, juntamente com a restrição da doação de homossexuais, promovem a problemática em questão.
É fundamental enfatizar, a princípio, que não basta simplesmente aumentar o volume de sangue no estoque dos hemocentros, mas sim, preocupar-se em manter a qualidade e a segurança do material coletado. No entanto, conforme relata o Diretor-Presidente do Hemocentro de Ribeirão Preto-SP, Dimas Tadeu, a falta de financiamento dos órgãos públicos para com as agências transfusionais prejudica todo o processo de doação, desde a primeira entrevista com o profissional, até os exames laboratoriais. Logo, é comum a ocorrência de perda do material, tanto pela falta de bancos de sangue em unidades de saúde, quanto pelo relacionamento ineficaz entre hemocentros e hospitais.
Ademais, relacionada à deficiência estrutural nas agências, a restrição da doação sanguínea de homens que mantiveram relações sexuais com outros homens, por um período de até 12 meses antes da coleta, também é um obstáculo para o país nesse quesito. Isso porque, durante a década de 1980 ocorreu um surto internacional de AIDS, e a maioria dos pacientes que apresentavam a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida eram homossexuais, o que fez com que a sociedade relacionasse umbilicalmente a doença a esse grupo social da época. No entanto, conforme defende Welton Trindade, ativista LGBT e Coordenador Midiático do grupo Estrutural, essa atitude é discriminatória, uma vez que não se deve considerar a orientação sexual do doador, mas sim se ele mantém um comportamento que apresentaria risco para o receptor do sangue.
Fica evidente, portanto, que ainda existem obstáculos na doação de sangue no Brasil. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Saúde, investir objetivamente na ampliação de agências transfusionais nos hospitais e na contratação de profissionais capacitados, como enfermeiros, médicos e biomédicos, a fim de promover uma consolidação da estrutura que compete a transfusão sanguínea. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com o setor Legislativo, devem eliminar a restrição da doação dos homossexuais, utilizando o México, Chile e Uruguai como referência, posto que nesses países, homens que mantém relações sexuais com outros homens podem colaborar normalmente, desde que apresentem comportamentos que não apresentem risco ao receptor. Assim, alcançar-se-à uma ampliação nos estoques de sangue sem interferir na qualidade do material, o que reflete uma sociedade que expressa respeito pela dignidade humana.