Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 09/10/2018
Durante a Primeira Guerra Mundial, a quantidade de enfermos que necessitaram de auxílios hospitalares, dentre eles a captação de sangue, era preocupante. Com o avanço dos meios de comunicação e da medicina, a doação de sangue se popularizou na sociedade brasileira. Entretanto, ainda há empecilhos nesse processo e, cabe analisar como a falta de informação e a discriminação contra homens homossexuais dificulta o exercício da doação e, também, possíveis soluções para esse impasse.
Vale apontar, a princípio, que o ato de doar sangue no Brasil é contornado de mitos e inseguranças. A ignorância sobre essa problemática influencia o indivíduo a negligenciar tal processo, fazendo com que o desinteresse em ajudar o próximo se torne vigente em suas decisões. Na França, é visto como um exercício da cidadania a doação de sangue, em que desde jovem o cidadão é instruído sobre a empatia e os efeitos positivos desse ato em meio social. Desse modo, é indubitável afirmar que a falta de conhecimento geram brasileiros individualistas e que, se dotados de informação, mais vidas seriam salvas.
Além disso, é importante ressaltar sobre as dificuldades que os homens homossexuais enfrentam no processo de doação de sangue. Ainda alvo de discriminação, essa minoria se vê afetada por um estereótipo maligno que, nos anos 80, foi construído ao relacionar o HIV aos gays. Todavia, é permitido por lei a doação por parte dos homossexuais, mas entraves como a permissão para somente àqueles que realizaram relações sexuais 12 meses antes da doação dificultam o processo. O filósofo Aristóteles, em um dos seus pensamentos, afirmou que a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, a igualdade de direitos deve ser exercida nesse âmbito para que estigmas sejam superados e, por consequência, avanços na saúde pública do Brasil.
Torna-se evidente, portanto, que a doação de sangue encontra dificuldades para ser exercida na sociedade brasileira. A fim de minimizar tal impasse, a mídia tem papel fundamental na conscientização da população, em que por meio de campanhas publicitárias, pela TV e redes sociais, transmita informações e instruções para que os mitos sobre essa problemática sejam esclarecidos. Ademais, o Estado juntamente da Organização Mundial da Saúde devem rever a legislação vigente para que os homossexuais sejam tratados de forma igualitária na sociedade, cumprindo com o Artigo Constitucional nº5 e a justiça aristotélica.