Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 13/10/2018

Promulgada pela ONU em 1948, a declaração universal dos direitos humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, quando se observa os obstáculos para a doação de sangue, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa declaração é constatada na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática sempre se sobressai na sociedade. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

A princípio, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o Governo por conta do preconceito acaba restringindo algumas minorias, como os gays de doar sangue, com medo de que eles possam transmitir alguma doença, logo, essa harmonia é rompida, haja vista que de acordo com o IBGE, com a restrição imposta aos gays, são desperdiçados 18 milhões de litros de sangue.

Outrossim, destaca-se as notícias falsas como impulsionadoras do impasse. Consoante a Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da ‘‘modernidade líquida’’ vivida no século XXI. Diante de tal contexto, a população dissemina notícias falsas, como a de que se doar sangue, o sangue irá afinar ou engrossar, esses tipos de informações levianas, faz com que o povo fique com medo de doar sangue.

Torna-se evidente, portanto, que a doação de sangue no Brasil apresenta entraves que necessitam ser revertidos. Destarte, o Ministério da Saúde deve permitir a doação de sangue dos gays, por intermédio de uma declaração que os receptores do sangue irão assinar, com o intuito de aumentar o número de doadores gays. Ademais, é mister que o Ministério da Educação conscientize a população por meio de campanhas e palestras ministradas por médicos e psicólogos que debatam as ‘’notícias falsas’’, com o intuito de aumentar o índice de doadores. Dessa forma, a declaração dos direitos humanos da ONU, passaria a ser válida não só na teoria, mas também na prática, no que diz respeito a doação de sangue.