Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 12/10/2018
Os obstáculos para a doação de sangue no Brasil vem se tornando um assunto muito presente ultimamente. De fato, de acordo com o Ministério da Saúde, menos de 2% da população doa sangue com regularidade e, embora a coleta anual seja considerada suficiente, o número de doadores é menor que o recomendável pela ONU, o que expõe o problema no país. Diante disso, deve-se analisar como o individualismo e a desinformação contribuem para a manutenção desse quesito.
Em um primeiro momento, é primordial ressaltar os impactos do individualismo. Em outras palavras, conforme Zygmunt Bauman e a sua obra “Amor Líquido”, na pós modernidade as pessoas buscam não mais se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Ao seguir essa linha de pensamento, percebe-se que os empecilhos na doação de sangue no Brasil concorda com a ideia do sociólogo; uma vez que, em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maioria da população acaba, muita vezes, não se importando se há pessoas que precisam de transfusão sanguínea e não contribuindo, com um simples, porém grande, ato de compaixão.
Adjacente a isso, é fundamental destacar os efeitos da desinformação na persistência dessa problemática. Isto é, segundo especialistas do centro coordenador do hemocentro do Rio de Janeiro, a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de mitos. A título de ilustração, muitas pessoas acreditam -equivocadamente -, que, ao doarem uma vez, precisará doar sempre. Além disso, acreditam também que poderão contrair doenças infecciosas no ato da coleta ou até mesmo engordar. Em virtude desse desconhecimento, a conduta de doar sangue torna-se cada vez mais incomum na realidade dos brasileiros.
Infere-se, portanto, que a questão da doação de sangue no Brasil precisa ser revisada. Logo, é dever do Ministério da Educação, em parceria com as escolas, incluir a matéria de ética no currículo escolar dos ensinos fundamental e médio com o intuito de desconstruir qualquer tipo de individualismo dos alunos, para que, assim, a população se torne cada vez mais empática. Ademais, é dever do Ministério da Saúde, com o apoio dos veículos midiáticos e das redes sociais, lançar propagandas que, além de incentivar a doação frequente, informar como é de fato todo o processo de transfusão, com a intenção de combater os mitos existentes no meio social. Dessa maneira, o Brasil conseguirá, em curto prazo, alcançar o número recomendável pela ONU e a doação sanguínea deixará de ser um problema no país.