Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 12/10/2018
“Toda hora é hora de fazer o que é certo”. O pensamento de Martin Luther King nos permite refletir acerca da importância de agir com responsabilidade e ajudar o próximo. Na atual conjuntura, entretanto, as ideias do pastor americano tornam-se difíceis de serem alcançadas devido aos impasses no que tange à doação de sangue no Brasil. Esse quadro alarmante é evidenciado não só pelo reduzido número de pessoas que se dispõe a doar, como também pela exclusão de grupos considerados de risco. Nesse contexto, é necessário avaliar as causas dessa problemática e propor uma solução.
Sob um prisma inicial, a desinformação à respeito da importância do tema influi diretamente no número de indivíduos dispostos a doar sangue. De acordo com a OMS, o número de doadores no Brasil é de cerca de 1,8% da população, enquanto o recomendado é esse número ser superior a 3%. Observa-se, nesse sentido, que de certa forma o tema ainda pode ser enquadrado como um tabu em nossa sociedade, que muitos dos brasileiros não doam por pensar que o processo pode trazer malefícios ao seu próprio corpo, o que é uma inverdade. Em adição, as diminutas campanhas publicitárias agrava ainda mais a crise dos bancos de sangue, uma vez que esse importante mecanismo de incentivo e de ruptura com pensamentos alienados é negligenciado e, infelizmente, perpetuando o descaso da população com a situação atual.
Outrossim, a excludente política para a doação de sangue ser efetivada é um grande obstáculo no que tange o aumento do número de doares. Segundo recomendações do Ministério da Saúde, cidadão que mantém relações homoafetivas são impedidos de realizar esse procedimento, sendo considerado um “grupo de risco”. Essa classificação parte da visão preconceituosa de que os homossexuais são mais suscetíveis à contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, segregando esse grupo e impedindo-o de salvar vidas. É inadmissível a postura do Poder Público em limitar o grupo de doadores de maneira, pois o casos de DSTs também são recorrentes entre os heterossexuais.
Fica claro,portanto, que medidas governamentais mais eficazes são necessárias para sanar o problema em questão. Urge que o Governo Federal, através do destino de verba ao Ministério da Saúde, desenvolva uma campanha que incentive a doação de sangue em território nacional, com a veiculação nas redes sociais para atingir principalmente a parcela jovem da população e formar futuros doadores, além de desmistificar as inverdades sobre o procedimento. Espera-se, com isso, que ocorra um gradativo aumento no número de doadores no Brasil.