Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 19/10/2018
O Brasil é conhecido internacionalmente por sua pluralidade e forte empatia a estrangeiros e nativos. Prova disso, foram as inúmeras doações de água e alimentos às vítimas do desastre da barragem de Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. Entretanto, um sutil, porém grave, problema que serpenteia a população canarinha contradiz essa nobre fama: a escassez de doações de sangue. Os obstáculos encontrados na realização desse ato configuram um problema de saúde pública no país. Nesse sentido, urge medidas que extirpem esse paradoxo.
Em primeiro lugar, o desconhecimento da população da necessidade de doações é o principal expoente da problemática. Segundo dados do IBGE, a televisão está presente em mais de 90% dos lares brasileiros, o que a torna o maior meio de transmissão de informação e formação de opinião. Concomitantemente, o acesso à rede aparece em três quartos desses. Contudo, é extremamente raro se ver qualquer incentivo a doações ou divulgação de hemocentros nesses meios, assim como instruções para tal.
Além disso, o empecilho a doações feitas por homossexuais corrobora para a persistência da situação. Sob o respaldo do surto de AIDS nos anos 80, a OMS (Organização Mundial da Saúde) considera relações homoafetivas como “comportamento de risco”; assim, impede essa minoria de realizar esse ato de amor. Exemplo disso, foram os obstáculos que amigos de vítimas do atentado na boate Pulse, em Orlando, encontraram no processo de ofertar o sangue. Todavia, a orientação sexual não deve ser vista como critério seletivo, mas sim a saúde do doador, visto que o vírus HIV também é transmitido por heterossexuais.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para se resolver o impasse. A curto prazo, é preciso que o Ministério da Economia, a partir de programas de descontos fiscais, incentive empresas privadas a encorajar os funcionários a doar sangue. Da mesma forma, é essencial que centros de ensino médio e superior atuem, em parceria com ONGs especializadas, em campanhas de solidariedade, com a distribuição de panfletos e realização palestras para alunos e responsáveis, no intuito de desmistificar, estimular e expor os benefícios decorrentes do processo de doação. Igualmente, o Governo invista em hemocentros e universidades a fim de que desenvolvam aparatos mais rígidos no controle dos grupos sanguíneos, avaliando se o indivíduo é portador de alguma doença. Dessa forma, as doações não serão mais selecionadas pela orientação sexual e o Brasil poderá, de fato, ser merecedor de sua fama.