Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 25/10/2018
Ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig, fascinado pelo potencial da nação, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa o baixo fomento à doação de sangue no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente o menoscabo governamental e o individualismo dos brasileiros, bem como a necessidade de políticas públicas para resolver essa inercial problemática.
Mormente, é indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que o equilíbrio seja alcançado no corpo social. De maneira análoga, é possível perceber que a escassez de investimentos governamentais para o esclarecimento da população acerca da doação sanguínea rompe essa harmonia. Destarte, campanhas eficientes, realizadas em instituições públicas, que incentive à doação e explicite à população sobre ao ato de doar sangue poderiam ser postas em prática no país, e devido à falta de administração e fiscalização por parte de algumas gestões, isso não é firmado.
Ademais, o pensamento individualista colabora para o baixo número de doadores no Brasil. Isso pode ser justificado pelo conceito de “modernidade líquida”, de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Dessa forma, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por não se importar se há alguém que precisa da doação de sangue. Tal atitude negligente faz com que a quantidade de doadores seja pequena, segundo dados da Super Interessante, em 2014, 1,8% da população brasileira doou sangue, enquanto o ideal seria 3%.
Urge, portanto, que indivíduos e instituições cooperam para mitigar o impasse. Destarte, o Ministério Público, em parceria com o Ministério das Comunicações, deve veicular campanhas de cunho educativo, na televisão e na internet, e se utilizando de outdoors e cartazes colocados locais públicos, que explicite para a população: como funciona o processo de doação, como doar, onde doar e a importância de doar sangue, com o fito de que se aumente o número de doadores sanguíneos no país. Ademais, o Ministério da Educação deve instituir nas escolas e universidades, aulas e palestras, ministradas por profissionais da saúde, que desconstrua o individualismo e mais pessoas se tornem doadoras. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.