Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 22/10/2018

O homem cordial é um conceito desenvolvido pelo historiador Sérgio Buraque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”. Nele, virtudes como serenidade e honestidade formam um traço marcado do caráter brasileiro. Entretanto, tais valores parecem não se assimilar à generosidade e compaixão diante a doação de sangue, que ofuscada por uma sociedade egocêntrica, e desmotivada por um governo letárgico, tornou-se uma prática escassa e sem prestígio social, o que afeta negativamente os indivíduos que necessitam do sangue doado.

Em primeira instância, o pensamento empírico aristotélico, de que o ser torna-se naquilo ao que constantemente é submetido, explica, filosoficamente, o baixo índice de doações de sangue no Brasil, já que este ato é totalmente negligenciado pela sociedade civil. Movida pelo consumismo e pela estética, a população tupiniquim obtém aspectos obtusos e famigerados de vivência em busca de “status” e prestígio social, então deixa de lado o bem-estar social e questões de saúde pública na qual pode fazer a diferença. Guiados pelo ego e pela estratificação, os civitas abandonam seus “irmão de sangue”.

Posteriormente, a tese do chanceler alemão Bismarck, de que a política é a arte do possível, adquire ares de obsolescência ao ser direcionada ao Estado brasileiro e sua postura diante os dados de doação de sangue no país. O desrespeito do Governo Federal sobre tal questão é tão grande que, mesmo nos dias de hoje, não se tem um planejamento que vise o aumento e melhor aproveitamento de doações, nem se quer as informações de onde, quando e como doar sangue costumam ser propagadas frequentemente por ferramentas governamentais. Logo, indivíduos que dependem de hemoterapias são desprezados pelo opulente Poder Público.

Dessa forma, é evidente que medidas são necessárias na resolução do impasse. Primeiramente, o Ministério Público deve trabalhar na mobilização da sociedade civil em prol da doação de sangue, isso pode ser feito por meio de publicidades em redes sociais, financiadas pelo mesmo, que explanem para o público alvo a importância e a possibilidade de salvar vidas por meio da doação de sangue. Além disso, o Ministério da Saúde deve trabalhar em um meio de recompensação para atrair novos doadores, exemplo disso é a parceria com clubes de futebol para atrair “torcedores doadores” ao hemocentro, onde se encontrará jogadores de certo time, ações desse cunho trarão alto volume de voluntários. Posteriormente, as publicidades anteriormente citadas devem ser expandidas pelo Governo Federal por qualquer meio de comunicação possível, em busca de ampliar seus resultados positivos. Com medidas assim em ação, a sociedade brasileira dará um passo à cordialidade de Sérgio Buarque.