Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 22/10/2018
Fraternidade: a dignidade de volta ao povo
Desde a década de 1930, o Brasil criou a Política Nacional do Sangue, que estabeleceu a hemoterapia altruísta, solidificando-se a doação de sangue pelos anos seguintes no país. Contudo, durante a década de 1990, ocorreu um surto exponencial do vírus da Aids no país - doença transmitida, muitas vezes, através do contato sanguíneo ou sexual desprotegido - o que ocasionou grande pressão da OMS (Organização Mundial da Saúde) no governo brasileiro, que restringiu o acesso de diversas pessoas, como os homossexuais, à hemoterapia. Por consequência,atualmente, devido a defasagem nas informações fornecidas à população no que cerne à doação de sangue, obstáculos,a fim de que o ato não se torne corriqueiro, são assentados. Urge, portanto, ao Estado e à sociedade o debate relativo aos detalhes da hemoterapia, com o objetivo de sanar os erros e as dúvidas existentes.
Sobre esse viés, consolida-se o pensamento do físico Albert Einstein acerca de ser mais fácil desintegrar um átomo a um preconceito, visto que, pode-se apontar como motivo para a estagnação dos volumes de sangue fornecidos, os preconceitos existentes,restritamente,aos homoafetivos na transmissão do vírus da Aids (HIV) através da hemoterapia. Entretanto, o preconceito é limitado à medida que a doença pode ser transmitida através de quaisquer relações sexuais, incluindo, com isso, os heterossexuais nas possíveis transmissões através de doações de sangue.
Convém ressaltar,também, a ideia de Zigmunt Bauman no que cerne à Era da Informação, que caso tenha invisibilidade, se torna equivalente à morte, situação evidente no descaso governamental com as campanhas de doação de sangue, que, consequentemente, são ineficazes na transmissão das características de possíveis doadores. Diante disso, milhões de litros de litros de sangue deixam de ser doados e vidas salvas, pelo fato de, muitas pessoas, se autodeclararem fora dos perfis.
Fica evidente, portanto, a falta de confluência entre o Estado e o povo. Cabe, respectivamente, ao Ministério da Educação a redefinição da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) com o acréscimo de assuntos que correlacionem história e biologia; e ao Ministério da Saúde o investimento massivo em campanhas de doação de sangue televisivas que esclareçam o fato de qualquer ser humano poder realizar exames detectando possíveis doenças prejudiciais à transfusão e, caso seja saudável, se colocará como altruísta no ato. Assim, a sociedade conhecerá as origens dos preconceitos, os detalhes virais, além de ter o acesso às informações intermitentes da hemoterapia, contribuindo, a cada dia, para a quebra dos obstáculos dessa ação solidária,além da fraternidade comum, garantida pela Constituição.