Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 23/10/2018

Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro integra uma nação cordial, tendo em vista que as emoções e os sentimentos os norteiam. Todavia, no que tange às problemáticas sociais, esse pensamento é contrariado. Tal impasse evidencia-se no dilema das doações de sangue, que, no Brasil, encontram-se em números irrisórios. Logo, relaciona-se tal contrariedade à adoção de premissas equivocadas e discriminatórias, além da desinformação que aflige parcela significativa da população brasileira.

É preciso considerar, de início, a infundada norma criada pelo Estado brasileiro que veta a doação sanguínea por homens homossexuais. Historicamente, as políticas públicas brasileiras inibem a normatização da homossexualidade, a exemplo disso, vê-se o impedimento da doação de sangue por essa minoria. Esse fato, além de chancelar ataques e descriminar o público LGBT, ainda anula uma crescente nos estoques sanguíneos, uma vez que, segundo dados do IBGE, são desperdiçados anualmente 18,9 milhões de litros devido à impossibilidade de doação pelos homossexuais. Constata-se, então, que exclusão institucionalizada pelo Estado não só mata com o preconceito como impede o prosseguimento de uma vida que almeja por doadores. Vale ressaltar, também, a desinformação da sociedade como fator preponderante para pouca adesão da doação sanguínea.

É possível apontar, ainda na Antiguidade Clássica, a existência de sofistas - indivíduos que geravam impactos à sociedade ao proliferarem rumores infundados. Na atual conjuntura, muitas pessoas mantêm um comportamento análogo, de modo que propagam boatos que abalam a arrecadação de sangue. Sabe-se que, o temor da população em contrair doenças e serem, de algum modo, afetadas negativamente no ato da doação decorre do pouco conhecimento acerca do assunto. Por conseguinte, espera-se o combate à desinformação, no entanto, vê-se que os órgãos públicos estagnam-se diante dessa problemática. Infere-se, portanto, que a mazela brasileira a respeito da doação sanguínea se acentua em concomitância com o preconceito e a ignorância, o que urge por combate.

Diante disso, é preciso que os membros do Congresso Nacional elaborem um projeto de lei que assegure a doação sanguínea aos homossexuais, já que a doação independe de gênero. Essa medida além de possibilitar o aumento no número de bolsas de sangues nos hemocentros, ainda visa progresso na aceitação social do público LGBT. Outrossim, é imperativo que o 3º setor - as ONGs – aliado ao Ministério da Saúde, realize campanhas instrutivas nos municípios brasileiros. Essa ação almeja desestigmatizar preceitos errôneos sobre a doação sanguínea e fazer com que o ato de doar torne-se corriqueiro na sociedade brasileira.