Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 23/10/2018
Segundo o sociólogo, Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é um povo cordial, age pelo coração com o intuito de ajudar o próximo. Tal premissa, contudo, não é posta em prática quando se trata da doação de sangue. Sob esse aspecto, apesar de estar dentro do parâmetros previstos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil ainda encontra dificuldades, discriminação e poucas políticas afirmativas para conquistar maiores colaboradores, para ratificar sua cordialidade. Diante disso, é fundamental analisar o atual contexto para contornar esses entraves.
Primeiramente, é válido ressaltar que a falta de informações corrobora o desconhecimento da importância de doação de sangue. As campanhas publicitárias, por sua vez, são periódicas e a população ainda permanece em estado de inércia para exercer o altruísmo, faz-se então, menos do que a real demanda necessária. Além disso, em determinadas épocas do ano há um decaimento nos bancos de sangue, em especial períodos de festas. Por exemplo, na Bahia, nos meses de fevereiro e junho devido ao Carnaval e festas juninas é perceptível essa escassez. Desse modo, a exibição deste problema pelos meios de comunicação e o estímulo a novos doadores são insuficiente.
Ademais, deve-se pontuar, o impacto dos pré-julgamentos na questão da doação de sangue. Segundo a OMS, os cidadãos que possui relações homoafetivas constituem o “chamado grupo de risco”; pois, na década de 80, houve uma explosão de contaminações pelo vírus HIV. Assim sendo, o Brasil exclui a doação de homossexuais que tenham realizado relações até o prazo de 12 meses, como resultado da atitude há a diminuição drástica do volume de sangue a ser doado. Com isso, tal grupo fica à margem de exercer a solidariedade e salvar vidas.
Fica claro, portanto, a urgência de superar as barreiras que interferem na doação de sangue. Logo, o Governo, em parceria, com o Ministério da Saúde, deveria estabelecer ou criar dias exclusivos para a coleta de sangue em postos de saúde, uma vez que nem todas as cidades têm hemocentros, assim expandido o número de doadores. Além de, o governo, em parceria com a OMS, deveria alterar as leis que excluem os homossexuais da doação e investir em aparatos tecnológicos que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, para avaliar se o indivíduo é portador de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue. Outrossim, a mídia tem papel imprescindível na informação de dados sobre as campanhas de sangue, seja na televisão ou internet. Enfim, o número de voluntários aumentaria e ajudaria os pacientes que carecem de transfusão sanguínea.