Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 24/10/2018
De acordo com o Ministério da Saúde, menos de 2% da população doa sangue regularmente. Embora a quantidade de sangue seja considerada, pelo mesmo órgão, suficiente, infelizmente, o povo tupiniquim não é tão solidário em relação à doação sanguínea, tendo em vista o ínfimo índice de doadores. Nesse contexto, deve-se analisar como a escassez de políticas públicas e a falta de informação atrapalham a realização desse ato altruísta.
Em primeira análise, é preciso destacar que a falta de engajamento com problemas sociais é um dos principais limitadores para o aumento da doação de sangue. Isso ocorre porque nas escolas brasileiras não há uma política de incentivo à discussão de assuntos que visem o bem estar social e a trabalhar o olhar empático, de modo que os indivíduos cresçam compreendendo a importância de doar. Em decorrência da escassez de uma cultura de solidariedade, uma grande parte da população acaba não se importando se há pessoas que precisam de transfusão sanguínea ou, não raro, cedem seu sangue com o intuito de receber vantagens como, por exemplo, ganhar um dia de folga.
Outro fator importante de se ressaltar é a falta de informação sobre o processo de doação. No início do século XX, a Revolta da Vacina ficou marcada por ser um período de resistência à vacinação obrigatória devido à falta de informação sobre a necessidade do procedimento. Na contemporaneidade, este problema de ordem informacional ainda se reflete, trazendo consigo diversos mitos que prejudicam o ato solidário em função da falta de campanhas eficientes a respeito da doação sanguínea. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam que podem contrair alguma doença infecciosa durante a coleta. Por consequência, o ato de doar torna-se distante da realidade da maioria dos brasileiros.
Diante desses impasses, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação estimule o sentimento de solidariedade já no início da vida da criança, por meio de políticas que discutam esse assunto e coloquem elas em contato com projetos desse âmbito, a fim de que, a longo prazo, obtenhamos uma sociedade mais engajada. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia televisiva, informar como é, de fato, o processo de doação, por meio de propagandas, visando sanar as dúvidas e os boatos. Dessa forma, é possível obter uma parcela bem mais significativa de doadores.