Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 29/10/2018
Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca dos obstáculos existentes para a doação de sangue no Brasil. Em 1818, James Blundell, obstetra inglês,realizou a primeira transfusão de sangue humano com sucesso para tratamento de uma hemorragia. Nessa lógica, apesar da consolidação da prática na contemporaneidade, alguns empecilhos impedem o aumento de doações de sangue. Logo. a fim de compreender o problema e alcançar melhorias, basta analisar como a falta de conhecimento populacional e restrições discriminatórias influem nesse cenário.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a Organização das Nações Unidas estabelece como ideal a taxa de doação de sangue entre 3% e 5% da população. Todavia, apenas 1,8% da população brasileira colabora nas doações, segundo o Ministério da Saúde. Isso ocorre, sobretudo, devido aos estigmas e mitos sociais, fatores que viabilizam o desconhecimento do corpo social. Por conseguinte, a ausência de campanhas de incentivo à doação por parte do Estado auxiliam na perpetuação desse quadro precário. Com isso, o aumento de doadores voluntários, ou seja, aqueles que doam frequentemente sem se importar com quem vai receber o sangue, é prejudicado. Nessa circunstância, nota-se que a permanência dessa condição é resultado de uma gestão omissa frente às necessidades da sociedade.
Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que proibir homens que realizaram atividades sexuais com outros homens em um período menor de 12 meses de doarem sangue impede o aumento de doações no país. Vale salientar que, isso advém do estabelecimento de grupos de risco como medida preventiva, aspecto que acentua a discriminação e impede que várias pessoas sejam beneficiadas. Para corroborar, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com a restrição dessa parcela da população, são desperdiçados 18,9 milhões de litros de sangue por ano. Isto posto, percebe-se inconformidade com a frase do filósofo Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”, posto que os homossexuais não têm seus direitos constitucionais, como a igualdade, assegurados.
Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual quadro negativo do país. Ao Ministério da Educação, cabe a elaboração de palestras públicas em escolas com profissionais da área da saúde, para esclarecer os mitos e estigmas existentes e ressaltar a importância de doar sangue, com o propósito de auxiliar na formação de uma sociedade consciente e participativa. É imprescindível, também, que o Ministério da Saúde incentive a doação, por intermédio dos meios de comunicação, além de implementar regras igualitárias e alterar a norma que diferencia homossexuais de heterossexuais, levando-se em consideração comportamentos de risco e não grupos, com o objetivo de erradicar o preconceito e viabilizar um aumento de doações de sangue no Brasil.