Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 25/10/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para pacientes à espera de uma transfusão de sangue que, diante da falta de doadores voluntários, vivem, não necessariamente bem. Com isso, evidencia-se a base educacional, bem como a falta de empatia da pós-modernidade.

Deve-se pontuar, de início, que a falta conhecimento atua como um complexo dificultador. Isso, de acordo com o pensamento do filósofo A. Schopenhauer, o qual defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Diante dessa perspectiva, se as pessoas não têm acesso à informações confiáveis em mídia televisiva aberta sobre a doação de sangue, sua visão será limitada, o que dificulta o aumento de doadores regulares. Dessa forma, a base educacional contribui para o distanciamento da realidade descrita por Platão da vivenciada por indivíduos que estão à espera de transfusões sanguíneas.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a fluidez dos tempos pós-modernos. Na obra ‘’Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, defende que os tempos modernos são caracterizados pelo individualismo e pelo egocentrismo. Tal afirmação pode ser enxergada na sociedade brasileira, no que tange à questão das doações sanguíneas. Em consequência dessa falta de empatia, segundo a Organização Mundial da Saúde, somente 2% da população brasileira doa sangue com regularidade, o que torna a solução do problema ainda mais complexa.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Em razão disso, o Ministério da Educação deve, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolver “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações de ajuda ao próxima como a doação de sangue. Talvez, assim, seja possível construir um país de que Platão pudesse se orgulhar.