Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 26/10/2018

No limiar do século XX, o cientista austríaco Karl Landsteiner, baseado em conhecimentos acerca da genética, descobriu o sistema ABO, que teve significativa importância nos avanços da medicina durante a primeira e segunda guerra mundial. Evidenciando, desde então, a necessidade da doação de sangue como um ato de solidariedade e cidadania. No entanto, mesmo após um século, regras ultrapassadas e restrições discriminatórias são mantidas durante o processo de triagem, assim como a falta de estrutura nos postos de coleta e o número de voluntários inferior à quantidade ideal. Assim sendo, é imprescindível que haja mudanças.

É de amplo conhecimento que, segundo o Ministério da Saúde, 49,9% dos casos de HIV são causados por relações heterossexuais e 45,7% por relações bi e homossexuais. Porém, é expressamente proibido que homens, tendo mantido relações sexuais com outros homens em um período inferior a 12 meses, doem sangue, não sendo tal regra aplicada aos que tiveram relações heterossexuais, mesmo que estas configurem um número maior de casos confirmados de HIV. Dessa forma, tais regulamentos retrógrados e preconceituosos desperdiçam 18,9 milhões de litros de sangue todos os anos, que poderiam ser doados por 10,5 milhões de homo e bissexuais brasileiros.

Concomitantemente a isso, conforme o escritor Franz Kafta, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Entretanto, em vista de somente 1,8% da população brasileira entre 16 e 69 anos doar sangue, sendo que o considerado “ideal” pela ONU está entre 3 e 5%, é notório que tal sentimento não têm sido amplamente divulgado. Por outro lado, segundo especialistas não basta aumentar o volume das doações sem garantir a qualidade do produto, seu armazenamento, e a locomoção dos doadores até o local de coleta.

Diante dessa problemática, consta-se que é essencial que se ultrapasse os obstáculos e estigmatizações impostas para a possibilidade de doação de sangue no Brasil. Logo, é papel do Ministério da Saúde a regulamentação da doação por pessoas LGBT+, desde que seja exigido de todo doador, independente de sua sexualidade, o exame de confirmação recente de DST’s, possibilitando, dessa forma, a isonomia dos doadores e um aumento significativo dos bancos de sangue. Além disso, é necessário que o Ministério da Saúde promova campanhas de conscientização através de redes sociais e canais abertos de televisão, incentivando todos os cidadãos aptos para que se dirijam ao posto de coleta mais próximo e apresentando as verdades e os mitos sobre a doação. Outrossim, é função do Poder Executivo a disponibilização de verbas para que sejam feitos investimentos estruturais nos postos de coleta e a aquisição de unidades móveis, fornecendo assim, um melhor atendimento.