Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 27/10/2018

Conhecido por ter uma população cordial e solidária, o brasileiro parece ser pouco predisposto quando o assunto é doação de sangue, pelo menos é o que aponta os dados do Ministério da Saúde, apesar de ser o quinto país mais populoso do mundo com mais de 200 milhões de pessoas, dessas menos de dois milhões são doadores regulares de sangue. Pode-se inferir que isso esta relacionado com a falta de conscientização e  regras muitas vezes preconceituosas que afastam parte da população.

No que se refere a falta de conscientização, o Estado não se prepara para captar o doador desde de criança, a falta de companhas nos primeiros anos de socialização nas escolas deixa de criar um vínculo duradouro na mente do jovem entre a doação e a ideia de salvar vida. Outro ponto importante é a falta de herança cultural, por não ter havido grandes catástrofes e uma necessidade urgente de sangue, acabou se criando mitos e uma compreensão que isso seria dispensável, porém quando acontece alguma tragédia é observável uma mudança gradual nesse comportamento como, por exemplo, quando houve o incêndio na boate Kiss, os hemocentros apresentaram filas enormes e as pessoas continuaram indo por um tempo após isso.

Além disso, a exclusão dos LGBTs  deixa de fora uma grande parcela da população, e mostra um preconceito ainda enraizado no próprio Governo, pois a necessidade de um homossexual estar sem nenhuma atividade sexual por um ano, mesmo possuindo parceiro fixo, é discriminatória e prejudicial para toda a sociedade.

Em síntese, a melhora na doação de sangue passa invariavelmente por uma mudança de mentalidade que deve ser estimulada pelo Estado e a escola através de discussões em salas de aulas, desde o ensino fundamental, informando a importância desse gesto, assim como, é necessário uma mudança nas regras dos Hemocentros, de modo, que todas as pessoas saudáveis possam estar se voluntariando independente de sua orientação sexual.