Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 30/10/2018

Brasil: Desafios da doação de órgãos no Brasil

Ao analisar a questão da doação de órgãos no Brasil, é possível afirmar que somente em 2017 existiam 32 mil pessoas à espera de transplante, segundo o jornal O Globo. Diante de tal relevância temática, surge a necessidade de discutir os obstáculos desse procedimento, sendo eles a deficiência na gestão da saúde pública e o desconhecimento do assunto pela população.

Cabe ressaltar, a princípio, que a precária gestão da saúde é um desafio à doação de órgãos. Nesse sentido, o Brasil não possui um sistema de saúde unificado, no qual permita a comunicação mais rápida entre os hospitais e os institutos de transplantes. Por isso, algumas áreas mais distantes dos centros urbanos são prejudicados, já que os pacientes levam mais tempo para receberem um órgão. Efetivamente, na França, país referência na área e transplante e doação de órgãos, todos os hospitais são conectados entre si, dinamizando a comunicação e o processo de doação. Desse modo, é notório que a ineficácia da administração no setor prejudica tal procedimento.

Outrossim, o desconhecimento do assunto pela população também torna-se um obstáculo para a doação de órgãos. Sob esse viés, o Código Civil brasileiro determina a morte quando não há nenhuma atividade cerebral, na qual os médicos chamam de morte encefálica. Entretanto, alguns músculos e órgãos do corpo humano podem continuar funcionando, com o auxílio de aparelhos, como o coração. Ocorre que, por esse motivo, os famíliares acreditam que seu ente ainda está vivo, desautorizando à doação. Nesse contexto, o decreto assinado pelo presidente Michel Temer confirmou que a família deve decidir sobre a doação, inexistindo a antiga determinação do consentimento presumido. Portanto, é evidente que a incompreensão sobre o assunto por parte da sociedade dificulta a doação.

Diante do exposto, a doação de órgãos no Brasil apresenta barreiras preocupantes. Então, o Ministério da Saúde, órgão maximo que rege o setor, deve elaborar um projeto para unificar todos os hospitais do país, sendo públicos ou privados, com os Institutos de transplantes, por meio de um sistema digital que cadastre os hospitais e pacientes doadores e aqueles que necessitam de transplante, a fim de que seja possível melhorar a comunicação entre tais instituições de saúde. Além disso, a mídia deve promover campanhas publicitárias, ao longo do ano, por meio de comerciais, panfletos e propagandas na internet, com médicos explicando sobre a importância da doação de órgãos, para que a sociedade possa entender melhor sobre o tema. Tais medidas visam tornar a doação algo natural, dinâmica e prática aumentando as chances de sobrevivência daqueles que precisam dos órgãos.