Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 30/10/2018

Solidariedade. Voluntariedade. Empatia. Essas ações são praticadas por, segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente, 1,8% da população brasileira quando o assunto é doação de sangue. No entanto, tal número ainda é pequeno quando comparado com o total de habitantes no Brasil e, associado a isso, faz-se necessário discutir sobre as dificuldades de aumentar o efetivo de doadores, objetivando citar soluções para alguns obstáculos.

Em primeiro plano, cabe afirmar que, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o ideal é que um país tenha entre 3 a 5% da população como doadora de sangue. Diante disso, o Brasil precisaria dobrar o número de voluntários e, para isso, deve combater alguns obstáculos administrativos. Um exemplo disso é a deficiência estrutural de alguns hemocentros no processo de armazenagem dos produtos doados, uma vez que, caso a quantidade de doações seja aumentada, os locais de armazenamento poderão não suportar tal crescimento e, consequentemente, prejudicarão todo o procedimento.

Ademais, vale ressaltar que a restrição, no processo de doação, dos homens que fazem sexo com outros homens tem gerado manifestações por parte dos ativistas LGBTs, que afirmam haver discriminação sexual por parte dos hemocentros. Embora a Anvisa afirme que essa limitação também vale para quem tenha feito sexo casual com um desconhecido e vítimas de estupro, é essencial citar o pensamento do Ministro Alexandre de Moraes, sugerindo que o sangue dessas pessoas deva ser guardado e submetido a testes, pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 10,5 milhões de habitantes são homo ou bissexuais, números que poderiam aumentar a quantidade de sangue doado no Brasil.

Fica claro, portanto, que o Ministério da Saúde deve repassar recursos financeiros aos hemocentros para, mediante licitações, comprarem equipamentos capazes de possibilitar o armazenamento adequado dos sangues, a fim de evitar o descarte eventual, de modo a objetivar o aumento da eficiência do produto. Além disso, é preciso que o Poder Legislativo, por meio do plano plurianual, destine verbas do Governo Federal aos institutos de pesquisa científica e às universidades, com o intuito de desenvolverem mecanismos que acelerem as análises dos sangues dos sujeitos que fizeram sexo com desconhecidos, pois, assim, caso os resultados dos exames sejam favoráveis à doação, o número de pessoas que realizam tal ato solidário poderá crescer.