Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 07/12/2018
Há muito tempo o número de doações de sangue é um problema no Brasil. Segundo a Organização das Nações Unidas a taxa ideal de doadores de sangue de um país é de 3 a 5%, no entanto, a realidade brasileira é outra: as instituições responsáveis pela captação de sangue sempre trabalham com estoques aquém do esperado e reduzido número de doadores. Apenas 1,8% dos cidadãos brasileiros doam sangue.
Conforme levantamento feito pela Organização Pan-Americana de Saúde a pequena parcela da população de doadores de sangue pode ser dividida em dois grupos: pessoas voluntárias, ou seja, aqueles que não sabem para quem o sangue será destinado e os doadores de repetição, aqueles que doam por razões pessoais (um familiar ou amigo que esteja necessitado, por exemplo). Por conseguinte, os hemocentros sempre trabalham com reservas baixas e, ao longo do ano, através de campanhas educativas buscam adquirir mais doadores, sobretudo, doadores assíduos.
Apesar de alguns entraves impostos pela legislação que sistematiza a doação de sangue no Brasil (alguns deles polêmicos e motivos de revolta, como a proibição à doação de sangue para homens que fazem sexo com homens) é notável que as ações e campanhas informativas do governo federal contribui bastante com o número de doações, no entanto, podemos ter mais atores envolvidos neste processo que podem cooperar fundamentalmente para alimentar esta grande corrente do bem. As escolas e universidades são peças-chave, pois concentram o alto e valoroso poder do ensino que exerce forte influência na sociedade em geral. O Dia Nacional do Doador de Sangue, comemorado dia 25 de novembro poderá ser explanado nas escolas como estratégia lúdica, por meio de rodas de conversação, material expositivo e participação dos profissionais de saúde que trabalham nos hemocentros, para esclarecer dúvidas e ampliar a rede de conhecimento. Já nas universidades será de grande valor à causa, organizar mutirões de doação com unidades móveis dos hemocentros instaladas nos câmpus, a fim de estimular e captar novos doadores.
Franz Kafka disse uma vez que o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana é a solidariedade, sendo assim, apreende-se que, no tocante à doação de sangue, o ato de doar é sobretudo, um gesto de altruísmo que precisa ser consolidado e estimulado, incansavelmente, na sociedade brasileira.