Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 07/02/2019

O escritor austríaco, Stefan Zweig, afirmou em seu livro que o Brasil era um país do futuro, ou seja, grandes inovações tecnológicas e sociais iriam ser efetivadas. Contudo, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse contexto, seja pelo individualismo da população, seja pela falta de conscientização, tal impasse persiste na atualidade.

Em primeiro lugar, é importante salientar o posicionamento individualista da sociedade. A par disso, consoante ao sociólogo Gilles Lipovetsky, a transição social do século XXI é nomeada “hipermodernidade”, ou seja, um contexto individualista e egoísta marcado pela ausência do exercício de alteridade. Assim, os indivíduos imersos nesse cenário com uma clara carência de empatia, não se importa se há pessoas que precisem de doação de sangue e acaba que não contribui com um ato simples, mas de grande valor.

Ademais, cabe ressaltar, ainda, a falta de conscientização sobre a doação de sangue como um dos entraves para os baixos índices de doadores. Sob essa ótica, segundo Yêda Maia, presidente da Fundação de Hematologia de Pernambuco, o Brasil não se prepara para captar o doador desde criança, ou seja, não há, principalmente nas escolas, uma conscientização sobre a importância da doação de sangue. Em vista disso, os índices de transfusões são baixos, como destaca o Ministério da Saúde, o qual afirma que menos de 2% da sociedade doa sangue regularmente.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com os meios de comunicação, desestimule o forte individualismo presente na sociedade hodierna, por meio de propagandas e ficções, que demonstre a necessidade de ser empático, a fim de que o individualismo não seja um entrave para a doação de sangue. Paralelamente, urge que o Ministério da Educação, por intermédio de aulas desde o ensino básico, conscientize as crianças sobre a importância de fazer doações, com vistas a aumentar os números de doadores. Dessa forma, os obstáculos para um ato tão significativo minimizará e o Brasil será um país do futuro como afirmou Stefan Zweig.