Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 23/02/2019

Conforme o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Entretanto, apenas 1,6% da população brasileira doa sangue, o que é grave, pois a recomendação da ONU é entre 3% à 5%. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo e a falta de informação influenciam na problemática em questão.

A princípio, o individualismo é o principal responsável pelo escasso número de doadores no país. Isso acontece porque, conforme defendeu o sociólogo Zygmunt Bauman, estamos vivendo a Modernidade Líquida, onde, a sociedade atual é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista o individualismo e a falta de empatia são as principais características da contemporaneidade. Em decorrência dessa fragmentação nos laços afetivos, o número de pessoas que morrem, lamentavelmente, por espera de transfusão sanguínea é altíssimo.

Além disso, nota-se ainda, que a falta de informação contribui para o desconhecimento da importância de doar sangue. Isso decorre porque, a doação de sangue no Brasil é cercada de mitos. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam equivocadamente que, ao doarem sangue, o doador ganha peso, o que na verdade, o doador não perde e nem ganha peso. Ademais, também acreditam que poderão contrair alguma doença infecciosa e até acreditam que doar vicia. Por consequência desse desconhecimento, o ato de doar sangue é cada vez mais distante da realidade dos brasileiros.

Torna-se evidente, portanto, que a questão de doação de sangue no Brasil precisa ser revisada. Em razão disso, o Ministério da Educação em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina  ética  e cidadania , com o intuito de desconstruir o individualismo. Ao Ministério da Saúde, por sua vez, promover nos meios de comunicação, propagandas que desmentem sobre os mitos da doação, além de incentivar e informar à população como é, de fato, o processo de transfusão. Por fim, o Brasil alcançará o número recomendado pela ONU e a doação de sangue deixará de ser uma problemática no país.