Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/03/2019

Conforme defendeu o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Entretanto, segundo o Ministério da Saúde, apenas 1,6% da população brasileira doa sangue, o que é grave, pois a recomendação da ONU é entre 3% à 5%. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo e a falta de informação influenciam na problemática em questão.

A princípio, a o individualismo é o principal responsável pelo escasso número de doadores no país. Isso acontece porque, conforme defendeu o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo está vivendo a Modernidade Líquida, visto que, a sociedade está marcada pela fragilidade das relações sociais, com efeito, a falta de empatia e o individualismo são as principais causas da contemporaneidade. Em decorrência dessa fragmentação nos laços afetivos, cerca de 30 mil pacientes, segundo o MInistério da Saúde, esperam por transfusão sanguínea no país.

Além disso, nota-se, ainda que a falta de informação  contribui para o desconhecimento da importância de doar sangue. Isso decorre porque a doação de sangue no Brasil é cercada de mitos. Grande parte da população, por exemplo, acreditam equivocadamente que, ao doarem sangue, o doador ganha peso, o que, na verdade, o doador não perde e nem ganha peso. Ademais, segundo a chefe de atendimento ao doador do HomeRio, Naura Faria, há pessoas que acreditam que se doarem uma vez, terão que doar sempre. Por consequência desse desconhecimento, o ato de doar sangue é cada vez mais distante da realidade dos brasileiros.

Torna-se evidente, portanto, que a questão de doação de sangue no Brasil precisa ser revisada. Em razão disso, o MInistério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina ética e cidadania, com o intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade brasileira. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover nos meios de comunicação, propagandas que desmentem sobre os mitos da doação, além de incentivar e informar à população como é, de fato, o processo de transfusão de sangue. Por fim, o Brasil alcançará o número recomendado pela ONU e a doação de sangue deixará de ser uma problemática no país.