Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 11/03/2019
No livro ‘‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’’, o autor, Machado de Asis, revela que não teve filhos para não transmitir a nenhuma criatura o legado da miséria humana. Ao analisar o contexto do Brasil, no que tange aos obstáculos para a doação de sangue, percebe-se uma certa coerência nas palavras do falecido autor. Logo, cabe avaliar os fatores que contribuem para a situação.
Ressalta-se de início, como a restrição quanto à doação de sangue por homossexuais contribui para o viés em questão. Segundo o IBGE, devido à esse fato é possível que estejam sendo desperdiçados até 18,9 milhões de litros de sangue por ano. No Brasil, pessoas que se relacionam com o mesmo sexo podem realizar transfusões sanguíneas apenas se obtiverem 12 meses de abstinência sexual. Embora a Anvisa já tenha afirmado que a homossexualidade não é motivo para restringir os doadores, o Ministério da Saúde insiste no erro. Como citou Albert Einstein: ‘‘É mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito’’.
Além disso, é válido salientar a falta de herança cultural como um impulsionar do problema. Ao contrário de países desenvolvidos, o Brasil não se caracteriza historicamente como um país empático, devido, sobretudo, a crescente exploração que os habitantes dessa terra foram submetidos na época colonial. Com essa e a contribuição de outros fatores, em 2014, apenas 1,8% da população brasileira doou sangue, apesar de o ideal, segundo a ONU, seja de 3% à 5%.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de solucionar a problemática. Inicialmente, cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio do STF, suspender a lei que restringe a doação de sangue por homossexuais, para promover mais igualdade e o bem estar social. Ademais, é dever do MEC, por meio das instituições de ensino contratar palestrantes com intuito de expor a importância da transfusão sanguínea e de uma sociedade mais unida e empática. Desse modo, o Brasil estará a caminho de um país ao qual Machado se orgulharia.