Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 23/03/2019
Segundo o escritor Tcheco Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesse sentido, um simples ato pode transformar vidas, a exemplo das campanhas de arrecadação realizadas em prol das vítimas do deslizamento do morro do Bumba, em Niterói, 2010. No entanto, percebe-se que, em outros casos, ainda há obstáculos que dificultam a realização desse ato nobre, como acontece em relação à doação de sangue no Brasil. Processo que, dificultado tanto pelo pouco acesso à informação quanto pela burocracia, gera um alerta social que precisa ser solucionado.
Em primeira análise, consoante dados da Organização das Nações Unidas (ONU), considera-se como ideal uma taxa de doadores entre 3% a 5%, caso de nações como Japão e Estados Unidos, enquanto que, no Brasil, o índice contempla apenas 1,8%, o que evidencia a real necessidade de doadores na nação. Nesse sentido, é fato que a exposição de informações quanto à importância da doação pelos meios de comunicação é deficiente. As campanhas publicitárias, apesar de frequentes, não expõem conhecimentos esclarecedores e discussões, de modo que a identificação de tipos sanguíneos e a localização de hemocentros continuem desconhecidas pela maioria populacional.
Ademais, vale pontuar que, atrelada à escassez de informação, a burocracia configura, também, como um empecilho ao aumento de doadores diante das inúmeras restrições. Exemplo disso é a comunidade homossexual, considerada como “grupo de risco” pela Organização Mundial da Saúde (OMS) até a década de 90 e, que, infelizmente, ainda convive com obstáculos no que tange à doação de sangue. Dessa forma, o grupo fica à margem de exercer a solidariedade e salvar vidas, o que fere o princípio da dignidade humana.
Diante disso, a fim de romper as barreiras que atravancam a consumação dessa obra solidária, bem como minimizar estigmas a ela relacionados, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Pró-Sangue, exponha dados informativos e requisitos básicos sobre a doação de sangue através de campanhas televisivas, eventos temáticos e divulgação em redes sociais, a fim de sanar potenciais dúvidas e combater tabus. Com isso, cabe ao governo, junto à OMS, alterar as leis que excluem a doação de homossexuais, de modo a flexibilizar o recolhimento de sangue, assim como investir em hemocentros e aparatos tecnológicos que controlem e averiguem a qualidade do material coletado.