Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 28/03/2019

Proteção ou limitação da vida

Uma das grandes dificuldades que os hospitais enfrentam para recuperar a saúde dos pacientes são os baixos estoques de sangue. Porém, as doações de sangue são limitadas por um antigo e recorrente entrave: o preconceito contra homossexuais.

Por mais que a necessidade de doadores seja crescente, não é permitido doar sangue em condições de saúde desfavoráveis, pois isso colocaria em risco a vida, já vulnerável, dos receptores. Algumas das restrições são realmente apropriadas, como ter mais de 50 kg e nunca ter tido doença de Chagas, hepatite ou DST. Entretanto, é notória a restrição de doadores homossexuais nos hemocentros do país.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), não existe discriminação de nenhuma forma. A lei cumpre apenas a orientação indicada para impedir doadores que mantiverem relações sexuais com parceiros desconhecidos durante 12 meses, independente do uso de camisinha. Ora, se antes de doar são realizados exames para detectar DST, tal restrição mostra-se incompreensível.

Logicamente que alguns vírus e bactérias tem o período de incubação, em que não são detectados nos exames. Mas 12 meses de abstinência sexual é muito tempo, e a realidade mostra que o preconceito é nítido e não são autorizadas doações de sangue pelos homossexuais, principalmente homens gays. Realidade essa que de acordo com o IBGE impede que o número de doadores passe de 1,8% para mais de 3% e restringe que milhares de pessoas sejam salvas.

Diante do exposto, é preciso que as autoridades da Anvisa e MS reformulem as leis para doação de sangue de forma a garantir a qualidade do produto doado sem estabelecer restrições arbitrárias. Assim o país conseguirá atingir os níveis ideais de estoques sanguíneos e recuperar com segurança a saúde dos pacientes internados.