Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 22/09/2019
A doação de sangue é um ato voluntário e muito importante pois pode ajudar a salvar vidas.No entanto, ainda há um baixo índice de doadores no país.Observa-se como causas o individualismo, falta de informação e o preconceito.
Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o individualismo tornou-se uma caraterística do mundo moderno,ocupando o lugar do coletivismo e da solidariedade. Assim, no Brasil, não existe uma cultura de fazer uma boa ação sem receber algo em troca.De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS),em 2014, apenas 1,8% da população era doadora de sangue, sendo que desse número, 40,48% doaram para algum familiar ou amigo.
Embora, o hemocentro esteja correto ao exigir um perfil ideal de doadores de sangue, uma vez que o risco de transmissão de doenças por meio da corrente sanguínea é grande, algumas políticas são preconceituosas. Homens homossexuais, por exemplo, só podem doar sangue se estiverem há um ano sem relações sexuais, enquanto heterossexuais podem ter relação protegida com mais de uma pessoa por ano e ainda doar. Logo, existe a homofobia pois as doenças podem ser transmitidas por heterossexuais da mesma forma. A consequência disso é número menor de doadores, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) essa regra gera um desperdício de 8,9 milhões de litros de sangue ao ano.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde realizar palestras nas comunidades, ambientes de trabalho a respeito da importância da doação de sangue, com o objetivo de diminuir o individualismo e incentivar o coletivismo, de forma que haja uma quantidade adequada de bolsas de sangue nos hemocentros. Além disso, é necessário que a população em parceria com as mídias sociais criem campanhas que pressionem a OMS e os bancos de sangue a rever certas regras, pois essa política em relação aos homossexuais é preconceituosa e ultrapassada.