Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 22/04/2019
A Segunda Guerra Mundial foi responsável pela morte de milhares de pessoas. Infelizmente, houve um alto número de feridos e diversos experimentos feitos em humanos; todavia, tais acontecimentos geraram consideráveis avanços na medicina. Após a guerra, com o progresso científico e o crescimento da demanda por transfusões sanguíneas, surgiram, no Brasil, os primeiros bancos de sangue. Nesse âmbito, surge a problemática da doação de sangue no país, seja porque ainda é um tabu social, seja porque existe uma carência de informações sobre o assunto.
É inquestionável que existem algumas crendices a respeito da transfusão sanguínea na sociedade brasileira, uma vez que muitas pessoas deixam de doar sangue e, consequentemente, salvar vidas, devido a convicções que limitam o pensamento crítico sobre o assunto. Algumas religiões cristãs, por exemplo, são contra esse ato solidário, porque pregam que a transfusão é sinônimo de pecado. Diante disso, há inúmeros casos relatados de fiéis que vieram a óbito, já que não puderam receber sangue de outra pessoa. A proposta de educação, na ótica nietzschiana, é a postulação de um ideal educativo que prevê a formação de indivíduos capazes de desconfiar de doutrinas. Por isso, as restrições religiosas, para com a doação de sangue, deveriam ser reavaliadas.
Além disso, como consequência de tais tabus, a população brasileira aparenta ter muitas dúvidas sobre o assunto, visto que, também, não há muito interesse por parte dela e, com isso, acaba “engolindo” as informações que são passadas, mesmo que com superficialidade. Esse fato se dá, talvez, porque o Brasil nunca passou por uma guerra ou um grande desastre natural como terremotos, tsunamis e furacões. Os povos que já passaram por uma dessas intempéries acabaram criando o hábito da doação de sangue, levando, então, um dever cívico. Ademais, países desenvolvidos, como os europeus, lideram o ranking de maior quantidade de doação, segundo a ONU. Assim, é indiscutível a urgente necessidade da educação sobre o assunto.
Torna-se evidente, portanto, a ignorância sobre a questão da doação de sangue no Brasil. As instituições religiosas que ainda proíbem tal ato, poderiam começar a reavaliar algumas crenças e abrirem algumas exceções, com o intuito de incentivar seus fiéis a doar sangue e, com isso, salvar vidas. A escola, primordial na educação humana, deve abrir espaço para ensinar, através de eventos que atraiam os jovens, como funciona a doação de sangue, a importância de doar e incentivá-los a fazer feiras educativas para ensinar outras pessoas de comunidades mais pobres - que tem pouco acesso à educação. E, por fim, o próprio indivíduo precisa ter mais interesse nas informações que absorve diariamente, sobretudo sobre doação de sangue, para perceber que é fácil e necessário.