Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 14/05/2019
Ato de empatia
A doação sanguínea é um processo de fundamental importância para o funcionamento de hospitais e centros de saúde, entretanto, o desempenho desses podem ser afetados devido ao individualismo e a falta de informações, características essas que influem na disponibilidade populacional para a contribuição.
Primordialmente, o individualismo exacerbado expresso na sociedade atual mostra-se como impulsionador do baixo número de doadores. Segundo Ket Antonio, o mal da humanidade é o egoísmo da individualidade humana, tal adversidade comprova-se pela quantidade populacional doadora, que segundo o Ministério da Saúde representa 1,8% da população brasileira. A explicação para essa característica humana fora retratada na obra “Amor Líquido” de Zygmunt Bauman, na qual as pessoas pós modernas buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade de laços afetivos, a população acaba por não se importar na existência de pessoas necessitadas de transfusão sanguínea e acabam por não contribuir.
Além disso, nota-se, ainda, a proliferação de informações deturpas. De acordo com a chefe de atendimento ao doador do HemoRio, Naura Faria, a doação no Brasil ainda é cercada de mitos. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam que ao doar uma vez terão que doar sempre. Ademias, também julgam poder contrair alguma doença infecciosa ou até engordar, tais crenças já foram declaradas pela Organização Mundial da Saúde como não verídicas. Por consequência, o ato de ajudar o próximo se torna cada vez mais distante da realidade brasileira.
Nessa óptica é possível notar a urgência na tomada de providencias a fim de superar o impasse. Para a desconstrução do individualismo enraizado na sociedade e a criação de pessoas com responsabilidade social, urge que o Ministério da Educação implante disciplinas de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamentais e médio, por meio do aumento dos tributos direcionados à educação, como forma de disseminar o hábito de empatia. Ademais, o Ministério da Saúde, nos meios de comunicação, deve dissipar a importância da transfusão sanguínea a fim de culminar com o ideário equivocado. Dessa forma o Brasil poderá criar indivíduos responsáveis socialmente.