Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 18/10/2019

“Sobre seu corpo mente o individuo é soberano”. As palavras do cientista e político britânico John Stuart sintetizam o utilitarismo, vertente filosófica que valoriza o bem-estar social. No entanto, uma vez que a falta de doadores de sangue coloca milhões de vidas em risco, torna-se visível que esse princípio não é propiciado. Nesse sentido, esse fato está associado, sobretudo, à falta de empatia e à falta de esclarecimento da população.

Em primeira análise, é possível definir empatia como a capacidade identificação de um sujeito com outro indivíduo. Assim,ao colocar-se no lugar do próximo, é despertada a vontade de ajudar e de seguir princípios morais como a solidariedade social, reconhecida pela Constituição Federal como um objetivo fundamental. Não obstante, no que se refere à doação de sangue, esse princípio não é colocado em prática haja vista que somente 1,6 % da população é considerado doador segundo o Ministério da Saúde. Assim, esse panorama figura não somente uma grave ameaça para a vida, mas também para os valores humanos.

Outrossim, é válido ressaltar que grande parte da sociedade desconhece a importância da doação. Nesse viés, na maioria das vezes, pouco é debatido no processo de socialização escolar sobre a necessidade de doar sangue, bem como acerca de informações desse processo. Sob essa ótica,

conforme destaca Montaigne - filósofo humanista francês, os homens tendem a acreditar principalmente naquilo que menos compreendem. Logo, mitos como idosos e pessoas com diabetes não poderem ser doadores, impedem que essa ação  difunda-se na cultura brasileira.

Desse modo, para que o bem-estar defendido por John Stuart seja garantido, o direito a saúde não pode ser comprometido. à vista disso, o Governo Federal deve criar um programa de incentivo à doação de sangue, por meio da ampla divulgação nos meios de comunicação e debates na Escola, com exposição sobre a importância e esclarecimento das inverdades em face desse tema. Com isso, a longo prazo, a empatia será construída e mais pessoas se tornarão voluntárias.