Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/07/2019

O filme Crepúsculo, da diretora Catherine Hardwicke, retrata a história de um casal fantástico que entre suas diferenças está o fato de um ser vampiro, sendo o sangue a fonte da vida para eles. Fora da ficção, o sangue também é essencial à vida, contudo, no Brasil, mitos e preconceitos quanto à sua doação têm dificultado essa prática e contribuído para que os estoques sejam inferiores à demanda. Por isso, tal questão representa um desafio a ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade.

Vale ressaltar, em primeiro plano, que a concessão de uma pequena parte do tecido conjuntivo líquido de uma pessoa a outra advém de um processo histórico desde o século XVII, em que foram realizados testes e as primeiras transfusões sanguíneas em animais e, após, em humanos pelo médico inglês Richard Lower e, com o desenvolvimento de tecnologias surgiram inovações mais seguras na área e se perpetua até os dias atuais. No entanto, ainda há negligências quanto ao tratamento dos doadores quando a orientação sexual desses os impede de realizar esse ato benéfico, pois são classificados como grupo de risco, uma vez que podem ser transmissores de doenças, como a Aids, e para doar devem estar a doze meses sem relações sexuais com outros parceiros. Tudo isso demonstra o preconceito da sociedade para com esses cidadãos, portanto, a homossexualidade não deve ser critério de seleção, mas, apenas a condição de saúde de todos, porque com baixas doações a lista de espera aumenta e os estoques não são renovados, prejudicando a melhora de muitos pacientes.

Ademais, segundo o escritor Franz Kafka, a melhor maneira de manifestar o respeito pela dignidade humana é a solidariedade, assim, o ato de poder oferecer o bem-estar de enfermos e até salvar vidas é gratificante para ambos (receptor e doador). Todavia, segundo dados do Ministério da Saúde, a permanência de esteriótipos e mitos são impasses a isso, como, a crença de que a massa corpórea pode se alterar, vicia, afeta a saúde e traz contaminações, o que não se confirma. Nesse viés, conforme o mesmo órgão público, uma única doação pode socorrer até quatro doentes, sendo essencial que essa ação seja desmistificada e mais brasileiros se declarem doadores regulares.

Posto isso, para superar os obstáculos da doação de sangue, no Brasil, mudanças são necessárias. Logo, o Ministério da Saúde deve criar campanhas publicitárias difundindo a ideia sobre o assunto e como ajudar na causa e promover debates entre os internautas a respeito de alternativas mais viáveis, através das mídias sociais; além incentivar a doação por meio de parcerias com empresas, para que forneçam vantagens aos funcionários que aderirem à proposta, como folgas de trabalho e horários extras. Desta forma, garantir-se-á estoques adequados para transfusões e, consequentemente, a diminuição das filas de espera e, a sociedade será mais instruída e solidária conforme Kafka.