Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 26/05/2019
Todos os dias, milhares de pessoas necessitam de sangue seja por conta de acidentes, cirurgias, entre outros. Entretanto, nota-se que apenas uma reduzida parcela da população brasileira, cerca de 1.8 porcento, contribui com a doação de sangue, apesar de ser um ato extremamente empático e humano é indubitável que há dificuldades em trazer mais pessoas para os hemocentros do país, seja por conta de medo, proibição ou falta de acessibilidade, por esses motivos inúmeras vidas que poderiam ser salvas são perdidas.
A priori, é necessário ressaltar a importância da doação de sangue e de todos os avanços científicos que possibilitaram a humanidade a realizar esse ato caridoso, como por exemplo, a descoberta do sistema ABO por Karl Landsteiner que ensejou a compreensão da compatibilidade sanguínea. A partir deste e de outros avanços foi possível salvar inúmeras vidas sem que a saúde do doador e do receptor fossem comprometidas, contrariando o passado em que muitas pessoas perdiam suas vidas pela falta de sangue ou acabavam o rejeitando por receberem o sangue de tipagem incompatível.
Todavia, ainda existem alguns fatores que retardam o desenvolvimento e a maior abrangência da doação de sangue. Entre eles estão a falta de hemocentros disponíveis pelo país, a grande maioria deles se encontra em grandes cidades, dificultando o acesso aos moradores de pequenos municípios. Ademais, a falta de informação faz com que muitas pessoas não doem por medo de que o sangue doado faça falta ou que alguma doença seja adquirida no processo. Há ainda, casos como o dos homens homossexuais que são proibidos de realizar a doação pelo aparente risco da contaminação do sangue por DST’s como o HIV, pensamento gerado principalmente por conta do surto da doença na década de 80.
Portanto, para que o Brasil consiga chegar a porcentagem de 3% no número de doadores de sangue no Brasil, como é recomendado pela Organização Mundial de Saúde, é necessário que algumas medidas sejam tomadas. O Ministério da Saúde deve aumentar a acessibilidade à doação de sangue, por meio da abertura de novos hemocentros e da maior divulgação de informações sobre a doação de sangue buscando desmistificar algumas inseguranças da população. Outrossim, o mesmo ministério deve rever a proibição de homens homossexuais doadores, que além de marginalizar o grupo culmina na diminuição do número de doadores.