Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 19/07/2019
Um longo caminho foi percorrido pela humanidade e milhares de vidas foram perdidas desnecessariamente até que o médico austríaco Karl Landsteiner descobrisse o sistema ABO , o que possibilitou salvar vidas com um simples procedimento que até então não era 100 % eficaz devido à rejeição gerada pela incompatibilidade sanguínea entre as pessoas. No entanto esse gigante passo feito pela ciência não é suficiente se não houver disponibilidade de sangue quando necessário.
É importante refletir , antes de tudo , sobre a insuficiência das doações de sangue no Brasil, que segundo o Ministério da Saúde, não passa de 2% , menos do que o mínimo de 3% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessa forma, reconhece-se que além da desinformação e até desinteresse por boa parte da população, temos outros entraves como as restrições impostas às doações de homossexuais, que precisam declarar ao menos 12 meses de abstinência sexual, além de mitos acerca dos desdobramentos decorrentes da doação, como o afinamento do sangue e os riscos de contrair doenças.
Por conseguinte, menos de 60% dos doadores brasileiros são voluntários, enquanto em outros países esses números podem chegar a 100% como é a realidade de Cuba e da Nicarágua, por exemplo. Segundo a ONU, o maior volume de coleta na América Latina pertence ao Brasil, no entanto proporcionalmente estamos aquém de nossa potencialidade.
Sendo assim, medidas são necessárias para corrigir esse problema. O Ministério da Saúde deve se unir à mídia e às escolas , promovendo em conjunto campanhas que desfaçam os mitos existentes e que mostrem a importância de tal ato. Ao mesmo tempo, o mesmo Ministério deve atuar na modernização de leis, como no caso da França que recentemente reduziu para 4 meses o período necessário desde a última relação sexual para a doação. Com essas ações, aumentará significativamente o volume de doações e o Brasil poderá reafirmar seu título de país solidário, mundialmente propagado.