Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 04/07/2019
De acordo com o 1° artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, (DUDH), da qual o Brasil é signatário, todo membro da família humana tem o direito à vida. Diante disso, promover e facilitar a doação de sangue no país é uma forma de preservar o direito dos indivíduos que dependem da transfusão sanguínea. No entanto, apesar das grandes iniciativas dos setores públicos de saúde, o Brasil ainda enfrenta obstáculos nos processos de doação, a saber, a falta de informação da sociedade sobre os procedimentos e o preconceito que inviabiliza o aumento da doação sanguínea no país.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que um houve um aumento na qualidade das doações de sangue no Brasil. Todavia, a falta de informação corrobora para o desconhecimento sobre a importância de doar sangue. As campanhas publicitárias não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, o número de doadores faz-se menor do que a real demanda. Segundo os dados do Ministério da Saúde, apenas 1,6% da população brasileira é doadora, isso ocorre devido ao medo gerado pelo desconhecimento da segurança no procedimento da doação. Nesse sentido, é importante educar os indivíduos a desenvolverem o hábito de doar sangue.
Além disso, não se pode negar que a doação de sangue feita por homens homossexuais é um obstáculo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os cidadãos que têm relações homoafetivas constituem o chamado “grupo de risco”, pois, nos anos 80, houve o auge da epidemia do vírus da HIV. Dessa forma, o Brasil exclui a doação de homossexuais que tenham realizado sexo até o prazo de 12 meses. Entretanto, a orientação sexual não pode ser o critério de seleção, mas sim a condição de saúde dos indivíduos, uma vez que a Aids também é transmitida por heterossexuais. Esse quadro ainda reflete o preconceito enfrentado pelos gays no sistema de saúde.
Destarte, é mister superar os obstáculos na doação de sangue no Brasil, com vista a assegurar não somente o direito à vida, mas também o direito de praticar a solidariedade. Portanto, a mídia tem papel imprescindível na exposição de dados informativos sobre as campanhas de sangue, seja na televisão e internet, seja em áreas físicas, como outdoors. Logo, os cidadãos seriam incentivados a exercerem a solidariedade. Ademais, o governo, em parceria com a OMS, deveria alterar as leis que excluem os homossexuais da doação e investir em aparatos tecnológicos que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, para avaliar se o indivíduo é portador de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue. Espera-se com isso a união de todos os indivíduos em prol da preservação da vida.