Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 14/06/2019
Na Idade Média, o termo sangue serviu para designar a classe social pertencente ao indivíduo, o qual a coloração azul era símbolo da nobreza. Todavia, as descobertas científicas desse fluido desmitificaram essa atribuição somente como forma de hierarquia social, uma vez que as transfusões sanguíneas tornaram-se essenciais para salvar vidas. Nesse sentido, a carência de doadores voluntários e a negligência de sua importância para algumas religiões demonstram a retomada do pensamento medieval que desconhece as propriedades da doação de sangue para a saúde.
Primeiramente, é importante notar que a falta de assiduidade dos brasileiros é um fator para a diminuição dos estoques sanguíneos. A mobilização da sociedade para a doação de sangue, sobretudo, ocorre de maneira esporádica, quando um ente querido necessita de sua contribuição para sobreviver. Nesse contexto, a menor existência de doadores voluntários, os quais não se importam com quem vai receber o fluido e realizam com frequência, exalta o individualismo enraizado no país. Tal conjuntura se relaciona com as “atitudes de reserva” da sociedade elaborada pelo sociólogo Georg Simmel, na qual a globalização faz com que os seres humanos se distanciem das emoções cotidianas para preservar sua sanidade mental. Desse modo, a despreocupação das pessoas em ajudar ao próximo é um desafio a ser combatido para aumentar a demanda de sangue nos hospitais.
Ademais, cabe ressaltar que algumas crenças religiosas denigrem a importância da transfusão de sangue ao atribuir a cura de doenças restrita à intervenções espirituais. Segundo a Constituição de 1988, a liberdade de crença é inviolável, sendo assegurado o livre exercício de cultos religiosos. Entretanto, é necessário que haja uma conscientização por parte do Estado para que os religiosos os quais negam transfusões sanguíneas reconheçam os riscos que tal medida acarreta na saúde, além de corroborar a escassez da disponibilidade de sangue nos hospitais. Assim, tais restrições retiram esse grupo da parcela da população doadora de sangue e, por conseguinte, inibem as chances dessa substância ajudar na recuperação de diversas doenças.
Portanto, sugere-se medidas para aumentar as doações de sangue no Brasil. Para isso, é essencial a ação do Estado, na figura do Ministério da Saúde, em criar programas como “sangue para todos” com o fornecimento de carteirinhas para os indivíduos que se mobilizam para ajudar familiares e amigos, no sentido de aumentar a demanda de voluntários e incentivar a frequência das doações. Além disso, cabe as escolas, por ser o espaço de formação cidadã, promover amplas discussões sobre a importância da doação de sangue para a sociedade com profissionais especializados na causa e permitir a reflexão sobre os riscos de rejeitar essa prática para a saúde.