Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 15/06/2019

Desde o Iluminismo, célebre movimento cultural do século XVIII, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observam os obstáculos que dificultam o processo de doação de sangue no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática. Nessa perspectiva, podem-se destacar a inadimplência do governo e a falta de informação acerca do assunto como principais causas dessa problemática.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a proibição constitucional de homossexuais que tiveram relações sexuais recentes realizarem doações de sangue rompe essa harmonia, haja vista que a orientação sexual não pode ser critério de avaliação, mas sim a condição de saúde dos indivíduos, uma vez que a Aids também é transmitida por heterossexuais. É inadmissível que em um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, isso aconteça.

Outrossim, destaca-se a falta de campanhas publicitárias como impulsionadora do problema, pois, sem uma maior divulgação à população, o número de doadores é menor do que a real demanda. Na série norte-americana Grey’s Anatomy, nota-se uma intensa rotina hospitalar, onde dezenas de bolsas de sangue são usadas diariamente. Entretanto, paralelamente a isso, o portal de notícias G1 afirma que apenas 1,6% da população brasileira é doadora de sangue, tal dado gera um incômodo aos analistas, visto que o indicador ideal seria que 3% da população fosse doadora. Como o Brasil possui uma extensa grade de comerciai de TV, torna-se inaceitável que o número de propagandas relacionadas ao tema supracitado seja praticamente nulo.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que objetivem a construção de um mundo melhor. Destarte, as empresas de publicidade devem, por meio de propagandas em canais abertos e por assinatura, promover propagandas que visem à mobilização da população. Para instigar o caráter solidário do tecido social, essas propagandas exibirão casos em que a simples doação de sangue pode salvar vidas. Espera-se, com isso, que os problemas mencionados sejam amenizados e que os ideais de igualdade tão ovacionados na “Épocas das luzes” se concretizem.