Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 16/06/2019

Na famigerada série de televisão Grey´s Anatomy é possível vivenciar uma rotina hospitalar agitada, onde dezenas de bolsas de sangue são doadas constantemente e auxiliam no tratamento de diversos pacientes. Entretanto, no Brasil a realidade é oposta, e pode ser considerada precária. Afinal, a doação de sangue ainda apresenta empecilhos, dentre os quais se destacam a má conscientização sobre a importância de tal prática desde a infância e a proibição da doação de parte da população. Sendo assim, faz-se necessário avaliar os principais obstáculos para a doação de sangue no país.

Em primeiro lugar, a falta de sangue nos hemocentros ocasiona diversos impactos na saúde brasileira. A todo momento, inúmeras complicações estão presentes durante o tratamento de doentes, e na maioria delas é necessária a aplicação de sangue. No entanto, a falta dele pode gerar complicações graves, irreversíveis e em muitos casos até a morte. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 25% das mortes de mulheres durante a gravidez são provocadas por fortes hemorragias que não puderam ser controladas, a maioria delas por falta de sangue. Nesse sentido, embora medidas como o aumento da idade máxima para doar e a redução da mínima, o problema ainda persiste e continua ocasionando a morte de muitos doentes.

Entretanto, muitos problemas dificultam a resolução do impasse. No Brasil, a doação de sangue de homens homossexuais é restrita apenas àqueles que não tiveram relações sexuais no último ano. Tal fato representa uma enorme quantidade de sangue que poderia ser aproveitada e que é perdida todos os anos. Além disso, a falta de educação de base sobre como e qual a importância da doação de sangue, somada ao caráter individualista enraizado na sociedade brasileira, explicam os baixos índices de doadores, menos de 2% da população segundo a OMS.

De acordo com o líder pacifista Indiano, Mahatma Gandhi, “devemos nos tornar a mudança que queremos ver”. Dessa forma, são necessárias medidas que minimizem os obstáculos para a doação de sangue no país. Cabe ao Ministério da Saúde, rever a restrição de doação por parte dos homossexuais, revogando-a, a fim de tornar a doação algo mais acessível a esse grupo de pessoas. Ademais, é dever do Ministério da Educação, em parceria com as escolas públicas e privadas, proporcionar uma educação consciente, por meio de palestras ministradas por professores e técnicos de saúde, com a finalidade de ensinar desde o ensino fundamental a importância que a doação de sangue tem, e o papel que todos podem desempenhar em benefício da sociedade. Desse modo, superaremos os obstáculos presentes na doação de sangue e poderemos vivenciar uma rotina hospitalar ao menos semelhante a de Grey´s Anatomy.