Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 17/06/2019

‘‘Meu prazer agora é risco de vida’’. No trecho da música ‘‘Ideologia’’, Cazuza fala sobre as infecções que levaram à morte diversos homossexuais na década de 80. Mesmo com os avanços da medicina, ainda nos dias atuais, essas doenças geram preconceitos que refletem na proibição da doação de sangue pela comunidade LGBTQ. Somado a falha educacional e às ‘‘fake news’’, há uma diminuição brusca nos percentuais de doação, explicitando que a sociedade brasileira não conhece a importância da doação de sangue.

A priori, uma análise sobre a educação se faz necessária. Segundo Immanuel Kant ‘‘o ser humano é aquilo que a educação faz dele’’. Isto é, a educação é o que molda o indivíduo, ensinando-o a conviver em sociedade. Contudo, no Brasil, essa base educacional é falha, não havendo investimentos em infraestrutura, os professores são mal pagos, as bases curriculares se preocupam mais em ensinar matérias teóricas do que ensinar sobre o cotidiano. Tal falha constrói elementos que não são capazes de compreender a importância da doação de sangue, tornando cíclico o déficit sanguíneo, prejudicando a preservação de outras vidas. Dessa forma, uma intervenção governamental é imprescindível.

Outro fator a ser observado são as ‘‘fake news’’. Ou seja, noticias falsas que são espalhadas rapidamente na internet utilizada, muitas vezes, para causar medo na população. Nesse contexto, a problemática torna-se um obstáculo à medida que consequências falsas a cerca da doação de sangue são disseminadas como, por exemplo, a de que o sangue engrossa, diminuindo ainda mais o percentual de doadores. Portanto, as informações falsas compõem os obstáculos para a doação.

Diante do exposto, a população brasileira não conhece a importância da doação de sangue. Assim, o Ministério da Educação deve incluir nos currículos escolares atividades como visitas a hemocentros e palestras educacionais demonstrando através de fotos e videos a necessidade da doação, além de, no ensino médio, realizar excursões de doação sanguínea para que doar sangue seja uma prática comum no cotidiano das futuras gerações. Ademais, o Governo deve criar orgãos reguladores de informação e campanhas desmistificadoras nos meios de comunicação como internet, televisão e rádio a fim de frear os impactos das ‘‘fake news’’. Logo, não haverá obstáculos para a doação de sangue no Brasil.