Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 27/06/2019

De acordo com o filósofo alemão Albert Shwetzer não se deve contentar em falar do amor para com o próximo, mas evidentemente praticá-lo. Nessa perspectiva, na contemporaneidade brasileira, tem-se observado essa ausência de práticas humanitárias na baixa de doação de sangue no país que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), tem estado bem abaixo do considerado ideal comparado a outras nações. Desse modo, isso ocorre, devido a carência de investimentos em in-formação sobre o processo de doação de sangue, bem como os empecilhos estruturais e legislativos, o que tem sido verdadeiros obstáculos para o exercício desse ato na sociedade moderna.

Convém ressaltar, a princípio, que a doação de sangue é uma simples ação que pode salvar a vida de milhões de cidadãos. No entanto, devido a falta de conhecimento sobre esse processo, criam-se inúmeros mitos em torno desse ato, como a de que o ser humano pode contrair doenças como o HIV ou de que o sangue pode afinar logo após a doação, entre outros. Nesse sentido, essas afirmativas equivocadas acabam refletindo na baixa de doadores voluntários, que tem correspondido, conforme o Ministério da Saúde, a cerca de 1,8% da população, ao passo que o recomendado é em torno de 3% a 5%. Dessa maneira, investir na transmissão da informação para a superação de estigmas é de fundamental importância no aumento de doadores no Brasil.

Por outro lado, é notório a carência de investimentos em termos estruturais nos hemocentros ao redor do país. Isso pode ser comprovado quando se menciona  a insuficiência  de centros de armazenamento e coleta, segundo a BBC Brasil, fazendo com que o potencial doador, em muitas ocasiões, tenha de percorrer um espaço maior até os centros de coleta e, até mesmo, correndo o risco do sangue ser desperdiçado por falta de estoque. Em outro ponto,o veto aos cidadãos que tem relações sexuais homoafetivas 12 meses anteriores à coleta de sangue também impedem que percentual de doadores aumente, pois ao apoiarem-se na ideia da identidade sexual ao invés da condição de saúde do indivíduo marginalização esse grupo que poderia contribuir muito no exercício da solidariedade.

Portanto, percebe-se que, para vencer esse entrave, é imprescindível investimentos nesses setores. Para tanto, o Ministério da Saúde deverá desenvolver informes por meio das mídias como a televisão e internet, incentivando a população a ir aos postos, bem como tirar as dúvidas dos cidadãos pelos sites competentes ou por meio de lives para que as dúvidas e os equívocos possam ser tirados. Além disso, a receita federal destinar verbas para a capacitação dos hemocentros e na compra de unidades móveis a fim de chegar de maneira mais próxima ao doador. Ademais, rever a lei imposta ao homossexuais é indispensável, pois, dessa maneira, o amor será realmente praticado como preconizou o filósofo.