Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 27/06/2019
A filosofia, em sua corrente utilitarista, afirma que as ações dos indivíduos devem visar o bem-estar comum e não seus interesses particulares. Todavia, essa perspectiva não se faz presente no cenário brasileiro atual no que se refere a doação de sangue. Assim, surgem questões acerca dos obstáculos dessa prática, no país, cuja relevância atenta para o falho engajamento social e o preconceito com o público homossexual que deseja ser doador.
Em primeiro plano,convém ressaltar que o senso individualista dos cidadãos contribui para o ínfimo número de doadores. Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as relações humanas da modernidade são marcadas pela efemeridade. Nessa perspectiva, as relações sociais se tornam menos concretas, implicando, muitas vezes a falta de empatia e sensibilidade no que se refere a doação de sangue.
Outrossim, parcela da população é privada de realizar a doação devido a sua orientação sexual. A portaria número 2712 segue a recomendação de que homens homossexuais não podem doar sangue caso tenham relações sexuais com uma pessoa do mesmo sexo nos últimos 12 meses. Assim, essa exigência, em grande parte das vezes, inviabiliza a doação, o que faz o Brasil perder uma parcela expressiva de sangue por ano.
Em suma, torna-se necessário que os estados, no qual enfrentam obstáculos de modo mais preocupante, incentivem à população a doar através da criação de vantagens como a isenção de taxas de inscrição em concursos, a fim de aumentar a fidelização de doadores. Além disso, a OMS deve reavaliar os critérios de seleção para a doação e exigir que todos os cidadãos passem pela triagem e recebam o mesmo tratamento, visando ampliar o público doador. Assim, a sociedade brasileira promoverá o bem-estar de todos e dará esperança às pessoas que necessitam desse ato de solidariedade.