Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 15/07/2019

O documentário “Pró-Sangue”, produzido pelo médico Dráuzio Varella, retrata as dificuldades dos hemocentros brasileiros quanto à demanda de pacientes nas listas de transfusões sanguíneas devido ao estoque de bolsas de sangue e doadores. Esses impasses são causados por inúmeros obstáculos, motivados não só pela falta de campanhas presenciais, como também pelos mitos que permeiam a respeito das transferências sanguíneas.

Primordialmente, é necessário analisar o levantamento feito pela ONU (Organização das Nações Unidas), que determina um ideal de doadores de sangue entre 3% e 5% da população de um país. Todavia, no Brasil, cerca de 1,5% das pessoas fazem parte dessa estimativa, segundo o site G1 de Notícias. Essa problemática ocorre em virtude da falta de campanhas que possibilitem que esse público seja reunido e levado até os hemocentros, sem que haja custos de transporte, pois parte  da sociedade não está disposta para arcar com esse gasto.

Ademais, como relata o filósofo Nietzsche, as convicções pessoais são cárceres. Logo, inverdades foram construídas e são permeadas por gerações a respeito de transfusões de sangue, como o mesmo adquirir caráter fino ou denso, o que leva a população ao temor e, por consequência disso, a não se disponibilizarem como doadores.

Portanto, é mister que ações sejam feitas para vencer esses obstáculos. Para que o número de doadores de sangue aumente, urge que campanhas sejam feitas nas escolas e nas universidades (onde há uma grande população de doadores em potencial), de modo que seja passado as recomendações com antecedência e, para os estudantes menores de idade, uma carta de autorização. As prefeituras devem conceder os ônibus para transportar essas pessoas aos hemocentros próximos e de volta às instituições de ensino. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as emissoras de televisão nos intervalos comerciais, estimularem ações que desconstruam os mitos sobre as doações de sangue. Desse modo, observar-se-ia uma redução de pessoas nas listas de transfusões, como mostra o documentário de Dráuzio Varella.