Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 13/07/2019

No contexto social hodierno, segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 3,3 milhões de pessoas são doadoras de sangue, o que representa níveis regulares para o Brasil. No entanto, a expanção desse ato solidário é prejudicada em virtude da desinformação da população e do preconceito sobre a comunidade homoafetiva nesse âmbito. Logo, urgem medidas engajadas dos agentes adequados, com o escopo de modificar essa adversa conjuntura nacional.

Em verdade, a desinformação da população é um desafio, tendo em vista que muitas pessoas ainda acreditam em mitos relacionados à doação de sangue, como que a prática engorda ou que doenças são contraídas durante a coleta. Nesse sentido, observa-se que tal situação é agravada devido à sazonalidade das campanhas públicas, as quais acontecem geralmente em períodos festivos quando a demanda nos bancos de sangue é maior, bem como a não preparação e esclarecimento precoce dos indivíduos para realização dessa ato caridoso. Em face disso, nota-se que a comunidade é desestimulada à ação em debate, o que dificulta a ampla disponibilidade de sangue aos necessitados, independentemente da época, e diminui a potencial quantidade de doadores de repetição, ou seja, aqueles que doam mais de uma vez.

Outrossim, ressalta-se que o preconceito para com a população homossexual é entrave para maiores doações de sangue no país. Nessa perspectiva, embora não exista lei que combata a opção sexual como padrão para tal ação, a contestação de que esse segmento é um “grupo de risco” diante da maior vulnerabilidade à infecção por HIV, por exemplo, encobre um verdadeiro estigma cultural, refletido em atitudes discriminatórias nos hemocentros, as quais viabilizam um descarte anual de cerca de 19 milhões de litros de sangue, consoante dados do IBGE. Com isso, ainda que campanhas, como a “Igualdade na Veia”, lutem por maior equidade nesse sentido humano e solidário, a expansão das doações dependem, também, de mudanças no comportamento civil.

Destarte, é essencial superar os obstáculos para doações de sangue no Brasil. Para tanto, é impreterível que o Ministério da Saúde amplie as políticas sobre doação de sangue, inclusive dando suporte àquelas que lutam por maior integração de gays, mediante a divulgação frequente de informativos nas mídias de amplo alcance, como televisão e redes sociais, com o fito de desmistificar o imaginário popular e incentivar a recorrência dessa atitude benéfica na comunidade. Concomitantemente, é imprescindível que a sociedade quebre paradigmas para realização das doações, acreditando na capacidade humana como parâmetro para o salvar vidas e não questões de ordem individual ou sexual.