Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 17/07/2019
No dizer de Franz Kafka, a solidariedade é o melhor sentimento que expressa a dignidade humana. No entanto, observa-se no Brasil, desafios que impedem os cidadãos de se mostrarem solidários quando trata-se de doações sanguíneas. Dessa forma, defícits nos bancos de sangue se mostram cada vez mais recorrentes, tendo como causa não só a falta de informação, mas também a legislação vigente.
Convém ressaltar, a princípio, que a população não é devidamente informada sobre a importância e os benefícios de realizar as doações. À vista disso, observa-se a propagação de diversos mitos que criam um grande temor social, prejudicando a disponibilidade de pessoas para efetuar as doações. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 1,6% da população brasileira realiza doações, apesar de ser um percentual considerável, é possível que haja uma melhoria, quando a população estiver devidamente informada sobre os benefícios e a importância social dessa atitude.
Vale destacar, também, que a legislação vigente precisa ser reconsiderada em alguns aspectos. Em 1980, houve uma grande epidemia de Aids, e o grupo de risco eram os homens homossexuais. A partir disso, o Brasil só permite que a doação seja realizada por indivíduos que não tiveram relações sexuais por 12 meses. Na visão de Welton Trindade, ativista brasileiro, essa norma é um tanto discriminatória, pois o que deve ser levado em consideração é a saúde que o doador apresenta e não a sua a orientação sexual.
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Estado, através dos meios de comunicação social, promover efetivas campanhas informativas e motivadoras acerca da doação sanguínea, a fim de que os cidadãos sejam estimulados e também conscientizados. Ademais, ainda o Estado, deve aumentar o rigor na análise do sangue coletado, por meio de aparatos tecnológicos, com o propósito de permitir a doação por homossexuais e garantir que seja um material qualificado.